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Madame Bovary · Parte II

Capítulo 4

Resumo do capítulo

Com os primeiros frios, Emma Bovary passa a viver na sala e a acompanhar da janela as idas e vindas de Léon, enquanto Homais aparece todas as noites, durante o jantar, repetindo sempre a mesma saudação. Léon e Emma se aproximam nos serões da casa do farmacêutico, com troca de livros e de pequenos favores, e a vizinhança conclui que se amam. Léon se atormenta sem conseguir declarar-se, escreve cartas que rasga e, quando Charles Bovary o convida a visitar doentes, desiste da declaração e parte com ele; Emma, por sua vez, não se pergunta se o ama.

Os serões na casa do farmacêutico (jogos de cartas, dominó, leitura de versos) constroem a intimidade entre Léon e Emma sem que nada aconteça: é a fase da cumplicidade silenciosa, das plantas nas janelas de cada um, do tapete de presente que todo o povoado interpreta como prova de romance antes mesmo de existir romance. Nesse ambiente Flaubert deixa a definição de amor que vai governar a leitura de Emma sobre si mesma, um amor que só existe como acontecimento total, nunca como escolha cotidiana, e por isso incompatível com qualquer marido possível.

Análise

o amor, segundo acreditava, devia surgir de repente, com grande tumulto e fulgurações [...] tempestade dos céus que cai sobre a vida e a revolve, arranca as vontades como folhas e arrebata para o abismo o coração inteiro.

Para discutir Emma acredita que o amor "devia surgir de repente, com grande tumulto e fulgurações", como uma tempestade que cai sobre a vida. Se é assim, o que ela faz com o que sente por Léon, que cresce devagar, entre jogos de cartas, livros emprestados e pequenos favores?

Para discutir Léon escreve declarações que rasga em seguida e desiste quando Charles o convida a sair com ele, enquanto Emma não se pergunta se o ama. O que cada um dos dois evita ao não dizer nada, e o que a vizinhança ganha ao falar por eles?