Resumo do capítulo
Ao voltar a Yonville, Emma Bovary é chamada à farmácia, onde Homais, aos gritos, repreende Justin por ter pegado a chave do cafarnaum, o gabinete onde guarda o frasco azul de arsênico, e confisca do rapaz um livro, O Amor Conjugal, antes de lhe dar a notícia: o pai de Charles Bovary morreu de apoplexia. Em casa, Charles chora enquanto Emma, indiferente, vê no marido um homem fraco e nulo e se lembra de Léon. Com a chegada da viúva Bovary, Lheureux reaparece oferecendo os serviços e insinuando que Charles passe a Emma uma procuração, e Emma leva ao marido o modelo de uma autorização geral para gerir os bens do casal. Para tratar do assunto, convence Charles a deixá-la ir a Rouen consultar Léon, onde passa três dias.
O capítulo muda de registro com brutalidade: a notícia do luto chega por uma comédia de erros na farmácia, e é só em casa que Emma, sem luto nenhum, sente de outro modo o beijo do marido:
Análise
ao contacto dos seus lábios, apoderou-se dela a recordação do outro
O que decide o capítulo é a visita de Lheureux, em pleno luto, com a oferta de um serviço que parece só um conselho:
Lheureux planta a procuração entre uma gentileza e outra: com uma procuração, seria simples, e então poderíamos fazer uns negociozinhos
Emma aprende rápido e volta ao marido com termos técnicos e o papel pronto. O capítulo planta, sem alarde, o instrumento jurídico que vai devorar a família.
Para discutir Quando Charles, em lágrimas, a abraça para beijá-la, Emma é tomada pela "recordação do outro" e passa a mão pelo rosto. Que efeito tem o narrador deixar sem nome esse outro, e por que o beijo do marido enlutado o faz voltar?
Para discutir Lheureux volta várias vezes, sempre com um pretexto novo, "insinuando a Emma alguns conselhos sobre a procuração", e diz que então "poderíamos fazer uns negociozinhos", sem que Emma entenda. Por que a armadilha chega como gentileza e atenção, e o que Emma aprende com esse modo de se aproximar?