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Madame Bovary · Parte II

Capítulo 7

Resumo do capítulo

Depois da partida de Léon, Emma Bovary passa semanas de luto e de caprichos, até desmaiar e escarrar sangue, e Charles Bovary chama a mãe, que a considera ociosa e manda cortar a assinatura da biblioteca de Rouen. Num dia de mercado, o proprietário Rodolphe Boulanger, dono de La Huchette, traz um camponês para ser sangrado por Charles e conhece Emma enquanto o aprendiz Justin desmaia. Voltando a pé para casa, Rodolphe decide seduzi-la, e planeja visitas, presentes de caça e os comícios que se aproximam.

Com Léon fora, Emma entra num luto sem funeral: reorganiza a memória dele em imagens cada vez mais bonitas, cultiva o hábito de comprar objetos (estola, caxemira, um genuflexório gótico) como quem tenta preencher com posse o que era ausência de pessoa. A mãe de Charles chega, diagnostica falta de ocupações obrigatórias e de trabalho manual e decide cortar a assinatura da biblioteca de Rouen, tentativa de higiene moral que chega tarde e não entende a causa.

A ausência é o que organiza o desejo de Emma: enquanto Léon esteve ao alcance, ela o reprimiu e se refugiou na virtude, e, ido ele, ela se amaldiçoa por não o ter amado e o recria mais alto, mais belo e mais vago. É o primeiro exemplo do padrão que vai se repetir com Rodolphe: o objeto do desejo de Emma rende mais como imagem do que como pessoa presente.

Análise

É nesse vazio que Rodolphe Boulanger entra em cena, trazendo a Charles um camponês que quer ser sangrado porque "sentia formigueiros pelo corpo todo". A cena clínica (Justin desmaia, e Emma lhe afrouxa a gravata e lhe molha as têmporas com vinagre) é a desculpa de enredo; o que importa é o monólogo de Rodolphe a caminho de casa, que revela o mecanismo antes mesmo do primeiro encontro a sós: Pobrezita da mulher! Aposto que anseia pelo amor como uma carpa pela água em cima da mesa da cozinha! Com três palavras de galanteio, tenho a certeza de que até me adorava! A conclusão dele é seca.

Há-de ser mínha!

Rodolphe já sabe, antes de uma conversa a sós com ela, que vai usar exatamente o mesmo vocabulário de infinito e destino que Léon usara com sinceridade. A diferença entre os dois homens não está no que dizem, está no que sabem que estão fazendo enquanto dizem.

Para discutir Depois que Léon parte, Emma o recria cada vez mais belo e se amaldiçoa por não o ter amado, embora o tivesse evitado enquanto ele estava ao alcance. Por que a ausência faz crescer um desejo que a presença não alimentava, e o que isso diz sobre o que Emma deseja de fato?

Para discutir Antes de trocar uma palavra com Emma, Rodolphe a compara a uma carpa que anseia pela água "em cima da mesa da cozinha" e decide que será dele. Que tipo de leitor de pessoas é Rodolphe, e em que a imagem dele acerta e em que erra sobre Emma?