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Madame Bovary · Parte III

Capítulo 6

Resumo do capítulo

Homais aparece em Rouen a convite de Léon, que lhe devia retribuir os jantares, e o prende por horas em cafés e passeios enquanto Emma Bovary o espera, furiosa, no hotel; a relação esfria, e Léon, pressionado por uma carta anônima enviada à mãe e pela advertência do patrão, passa a ver Emma como um risco para a carreira. Em casa, Emma vive de fornecimentos a crédito e de letras novas (Lheureux passa a de setecentos francos a Vinçart, que a protesta, e a troca por quatro de duzentos e cinquenta), enquanto o tédio com Léon e o fantasma de um amante ideal ocupam as cartas dela. Depois de uma noite de máscaras, no dia da mi-carême, ela volta a Yonville e encontra uma intimação para pagar oito mil francos em vinte e quatro horas. Procurado por ela, Lheureux nega qualquer prazo e fecha a porta.

A cena de Homais em Rouen é cômica na superfície, mas revela o que o casal já perdeu: eles não conseguem mais proteger o próprio tempo juntos de interrupções triviais. O tédio avança até o ponto em que o próprio narrador nomeia o que está acontecendo, na frase mais direta de toda a Parte III sobre o argumento dos capítulos 1 a 6:

Análise

Conhecia-se já demasiado para ter aquelas surpresas da posse que lhe centuplicam o gozo. Emma estava tão enfastiada de Léon como este cansado dela. Emma encontrava agora no adultério toda a insipidez do casamento

Nas cartas que continua a escrever a Léon, o destinatário já é outro: via outro homem, um fantasma construído das suas mais ardentes recordações, das suas mais belas leituras, dos seus mais fortes desejos

A partir daí o capítulo alterna entre o desgaste sentimental, com um baile de máscaras que termina numa ceia com os amigos de Léon que assusta Emma e a faz desmaiar, e o desfecho do enredo financeiro. Na casa de Lheureux, ela encontra, pela primeira vez sem disfarce, o comerciante que sempre esteve calculando esse momento.

Lheureux responde às súplicas de Emma fechando a porta e dizendo: Não tenho mais que me ralar com isso!

O capítulo termina com a porta batida na cara de Emma, imagem que fecha, de modo especular, a generosidade fingida com que Lheureux abriu o negócio no capítulo 2. O que começou como oferta de serviços no luto termina como extorsão fria, sem metáfora nenhuma, dinheiro contra patrimônio.

Para discutir O narrador diz que Emma "encontrava agora no adultério toda a insipidez do casamento". Se o problema não era o marido, o que era, e o que isso diz sobre o que ela buscava ao trocar de homem?

Para discutir Nas cartas a Léon, Emma vê "outro homem, um fantasma construído das suas mais ardentes recordações, das suas mais belas leituras, dos seus mais fortes desejos". Se o destinatário já é um fantasma, a quem ela escreve, e que papel resta ao Léon de carne e osso?