Clavis Libri

O Mestre e Margarida · Primeira Parte · Capítulo 11

A duplicação de Ivan

Resumo do capítulo

Durante uma tempestade, Ivan Nikoláievitch Bezdômny desiste de escrever a denúncia à polícia (cada versão emperra na mesma dificuldade: como falar de Berlioz, "o falecido", como se ele ainda fosse sujeito de uma frase) e chora entre as folhas espalhadas pelo chão; o médico lhe aplica uma injeção no braço e, passada a tempestade, ele se acalma. À noite, deitado, trava consigo mesmo um debate em voz alta, dividido entre o Ivan de ontem, que quer capturar o consultor, e um Ivan novo, mais cínico, para quem a morte de um editor não muda nada no mundo. Quando o novo Ivan pergunta, com escárnio, quem ele é nesse caso, quem responde não é nenhum dos dois.

Análise

Um idiota!

A voz que resolve a disputa é grave, alheia aos dois Ivans, e soa exatamente como a do consultor: o próprio julgamento sobre si mesmo já não pertence mais só a ele. Ivan sorri e quase adormece quando, sem fazer barulho, a grade da varanda se move e surge uma figura que, com o dedo nos lábios, pede silêncio: "Shh!". A cena fecha o capítulo ali, e o visitante só se apresenta no seguinte.

Para discutir Ivan desiste da denúncia porque cada versão tropeça na palavra "falecido" aplicada a Berlioz. O que essa dificuldade revela sobre a distância entre saber que algo aconteceu e conseguir dizê-lo na linguagem oficial?

Para discutir Quando o novo Ivan pergunta ao antigo "quem sou eu nesse caso", quem responde é uma voz que não pertence a nenhum dos dois. Por que a resposta vem de fora de Ivan, e o que isso diz sobre a mudança que ele atravessa?