Resumo do capítulo
No Teatro de Variedades, o diretor financeiro Rímski, já abalado pelo escândalo da sessão de mágica, recebe um telefonema anônimo que o ameaça.
Análise
Não ligue para ninguém, Rímski, será pior...
Pouco depois entra Variênukha, o administrador que fora enviado a levar às autoridades os telegramas de Stiôpa Likhodiêiev, contando uma história cheia de detalhes sobre bebedeiras em Púchkino que soa cada vez mais falsa. Rímski repara que a poltrona de Variênukha não projeta a sombra de sua cabeça no chão e entende que está diante de algo que já não é humano. Uma jovem de cabelos ruivos (a mesma descrição de Hella, que aparece nomeada só nos capítulos seguintes) força a janela do jardim e entra, com manchas de decomposição visíveis no corpo, enquanto Variênukha tranca a porta para impedir a fuga de Rímski. Os dois só recuam quando um galo canta pela primeira vez no jardim vizinho.
O galo, com a voz treinada, cocoricava anunciando que o dia se aproximava de Moscou vindo do leste.
Ao terceiro cocoricar, a vampira vai embora e Variênukha voa pela janela atrás dela. Rímski, envelhecido de susto numa única noite, foge do teatro, suborna um motorista de táxi e pega o primeiro trem para Leningrado.
O canto do galo como limite que as forças da escuridão não ultrapassam é motivo de folclore eslavo e cristão anterior ao romance, não invenção de Bulgákov: associa-se ao anúncio do amanhecer que dissolve espectros e aparições noturnas.
Para discutir Quanto mais vivos os detalhes que Variênukha acrescenta à história de Púchkino, menos Rímski acredita nela. O que esse mecanismo diz sobre a relação entre detalhe e verdade, e por que o romance o usa para fazer nascer o medo de Rímski?
Para discutir Rímski só escapa porque um galo canta, e depois foge de trem para Leningrado. O que o capítulo diz sobre o papel do acaso e da ordem natural diante das forças que o romance pôs em cena?