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O Mestre e Margarida · Primeira Parte · Capítulo 16

A execução

Resumo do capítulo

No monte Gólgota, sob calor insuportável, três condenados aguardam a morte em suas cruzes: Dismas, Gestas e Yeshua Ha-Notzri. Um cerco duplo de soldados romanos afasta os curiosos, e apenas um homem, Mateus Levi, permanece próximo, sentado numa pedra, sem coragem nem meios para agir.

Análise

O mais resignado de todos era Yeshua.

Levi chegara tarde demais: tentara romper o cerco para matar Yeshua com uma faca roubada e assim livrá-lo do sofrimento, mas os soldados já o cercavam por completo. Furioso com o próprio atraso e com o silêncio do céu diante da agonia de Yeshua, ele amaldiçoa a Deus abertamente.

Tu és um deus negro! Eu te amaldiçoo, deus dos bandidos, protetor e alma deles!

Para discutir A maldição de Levi é dirigida a um Deus silencioso, mas o próprio romance já mostrou, capítulos antes, um poder que interfere diretamente no mundo. A quem, de fato, Levi deveria endereçar sua fúria?

Uma tempestade se forma no horizonte e o comandante ordena aos carrascos que abreviem o sofrimento com uma lançada no coração de cada condenado, anunciada pela mesma fórmula ritual repetida três vezes.

Dê glória ao generoso Hegemon!

A última palavra de Yeshua, ao ser atingido, não é dirigida a Deus, mas ao título que Pôncio Pilatos o obrigara a usar no interrogatório do capítulo 2.

Hegemon...

Quando a tempestade dispersa os soldados, Levi sobe sozinho ao monte, corta as cordas dos três corpos e desaparece com o de Yeshua antes que alguém volte a procurá-los.

A revolta de Levi contra o silêncio divino diante do sofrimento inocente ecoa, num registro bem mais seco, a revolta de Ivã Fiódorovitch em A Revolta, de Os Irmãos Karamazov: aqui não há teoria sobre lágrimas de criança, só um homem sozinho, tarde demais, gritando para um céu que não responde.

Para discutir O narrador diz que "O mais resignado de todos era Yeshua", entre os três homens nas cruzes. Por que o texto descreve a resignação dele em vez de apenas o sofrimento, e o que isso muda na leitura da cena?

Para discutir Levi chega tarde demais e amaldiçoa Deus como "deus dos bandidos". Por que ele escolhe essa acusação, e o que a raiva dele diz sobre o que esperava de Deus?