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O Mestre e Margarida · Segunda Parte · Capítulo 24

O resgate do mestre

Resumo do capítulo

Já no quarto de Woland, Margarida janta com a comitiva. Azazello mostra a pontaria atirando de costas, por cima do ombro, numa carta escondida sob o travesseiro.

Análise

A marca feita por Margarida havia sido perfurada com a bala.

Pouco antes, Margarida pergunta a que distância ele acerta, Azazello responde que uma coisa é quebrar o vidro de Latunski e outra é acertar-lhe o coração, e Woland quer saber quem é o crítico. Behemoth e Azazello se oferecem para ir atrás dele, e Margarida recusa.

Não, por favor, meu senhor, não precisa disso, eu suplico!

Na hora da despedida, Margarida não pede nada e se diz pronta a servir. Woland responde com a máxima que resume a ética de toda a comitiva diante dos humanos que a procuram, e só então pergunta o que ela quer como paga.

Nunca peça nada! Nunca peça nada, principalmente àqueles que são fortes. Eles vão oferecer por conta própria e darão tudo também.

Margarida hesita entre pedir por si e pedir por Frida; escolhe Frida primeiro, sem saber que gasta com isso o pedido "oficial".

Quero que parem de estender à Frida o lenço com o qual ela sufocou seu próprio bebê.

Woland recusa fazer ele mesmo o que cabe a outro departamento, e é a própria Margarida quem chama Frida e a perdoa.

Você está sendo perdoada. Não vão mais estender o lenço.

Woland declara que aquilo não conta, porque ele não fez nada, e pergunta o que ela deseja para si. Só então Margarida pede o O mestre, e ele aparece, trazido de volta do hospício, ainda de roupão e gorro, assustado e sem forças.

Não chore, Margot, não me faça sofrer. Estou muito doente.

Woland pede para ver o romance sobre Pôncio Pilatos; Behemoth o produz intacto de baixo do próprio corpo, e Woland recusa a explicação do mestre de que o destruiu no fogo.

Desculpe, não posso acreditar [...], isso não é possível. Manuscritos não ardem.

Bulgákov queimou o próprio manuscrito (ver O manuscrito) do romance em 1930, num momento de desespero com a censura soviética, e passou a reescrevê-lo de memória nos anos seguintes até morrer em 1940; a frase que dá a Woland esse poder sobrenatural nasce de um gesto real do autor. A obra só foi publicada, ainda cortada pela censura, entre 1966 e 1967.

A comitiva desfaz em silêncio o rastro de Aloísi Mogarytch, o vizinho que denunciou o mestre para tomar o apartamento dele depois de ler o artigo de Latunski: o prontuário do mestre no hospital vai para o fogo, o nome de Mogarytch some do livro de registro do prédio, e Korôviev decreta que quem não tem documento não existe. Devolvidos o caderno queimado, a caderneta com dez mil rublos e o próprio manuscrito, Margarida e o mestre voltam ao porão da Arbat onde ele escrevera o romance, escoltados por Azazello até a porta.

Antes da partida, Nikolai Ivânovitch, o vizinho que Natacha usou de montaria transformado em porco, exige uma declaração de onde passou a noite, para a polícia e para a esposa, e Hella a datilografa sob o ditado do gato.

abra parênteses, Hella, parênteses! Entre parênteses escreva “porco”. Assinado: Behemoth.

Para discutir Woland diz: "Nunca peça nada, principalmente àqueles que são fortes." Logo depois, o primeiro pedido de Margarida é por Frida, não pelo mestre. O que a máxima de Woland e a escolha de Margarida dizem, cada uma, sobre o que vale pedir e a quem?

Para discutir Woland não aceita que o romance do mestre tenha sido queimado: "Manuscritos não ardem." Que afirmação sobre a obra escrita e a perseguição a quem escreve essa frase faz, e por que o romance a põe na boca de um demônio?