Primeira Parte, capítulo 1: Nunca falem com estranhos
A objeção que Berlioz prepara é a do bom senso, que o ser humano é mortal, e o estrangeiro a desmonta acrescentando um advérbio. É, o ser humano é mortal, mas isso ainda seria só metade da desgraça. O ruim é que às vezes ele é mortal de repente, aí é que mora o perigo! E em geral ele não pode nem dizer o que fará na tarde de hoje.
Um tijolo [...] não cai nunca sem mais nem menos na cabeça de ninguém. E eu lhe garanto que isso, particularmente, não o ameaça de jeito nenhum. O senhor morrerá de morte diferente
Vão cortar sua cabeça!
Ánnuchka já comprou o óleo de girassol, e não só comprou como já o derramou. Não haverá reunião
Saibam que Jesus existiu
Primeira Parte, capítulo 2: Pôncio Pilatos
qualquer poder é uma violência contra as pessoas e que chegará o tempo em que não haverá mais o poder [...] O homem passará para o reino da verdade e da justiça, onde não haverá necessidade de poder algum
A verdade, antes de tudo, é que a sua cabeça está doendo, e dói tão forte que você covardemente pensa na morte
Perguntado por que chama todo mundo de "boas pessoas", inclusive o centurião que acabara de chicoteá-lo, Yeshua responde com a frase que o romance inteiro vai pôr à prova. Não existem pessoas maldosas no mundo.
Você há de convir que, decerto, só poderá cortar o fio aquele que o pendurou, não é mesmo?
Ele nunca virá!
Primeira Parte, capítulo 3: A sétima prova
É, eram aproximadamente dez horas da manhã, respeitável Ivan Nikoláievitch
Eu presenciei tudo isso pessoalmente. Estive na varanda com Pôncio Pilatos, no jardim, quando ele conversou com Caifás, estive também no palanque, só que às escondidas, incógnito
Era a cabeça decepada de Berlioz
Primeira Parte, capítulo 4: A perseguição
Não restava sombra de dúvida de que o misterioso consultor sabia com antecedência de toda a cena da terrível morte de Berlioz.
Primeira Parte, capítulo 5: Aconteceu na Griboiêdov
logo compreendia como era boa a vida dos felizardos membros da Massolit e logo começava a se morder de inveja, atormentado. E logo dirigia queixas amargas aos céus por não tê-lo premiado, ao nascer, com o talento literário, sem o qual, naturalmente, não podia nem sonhar em ser dono de uma carteirinha de membro da Massolit, cor de café, que cheira a couro caro e tem um largo debrum dourado
Ele apareceu! Vocês têm que apanhá-lo logo, do contrário ele causará desgraças indescritíveis!
W, w, w... Wa... Wo... Washner? Wagner? Weiner? Wegner? Winter?
Primeira Parte, capítulo 6: Esquizofrenia, como foi dito
Excitação motora e verbal... interpretações delirantes... um caso complexo, pelo visto... Esquizofrenia, deve-se supor. E, ainda por cima, o alcoolismo...
O problema não é que sejam ofensivas, e sim que encerram a verdade.
A glória nunca chegará àquele que escreve poemas ruins. E por que são ruins? A verdade, ele disse a verdade! [...] Não acredito em uma palavra do que escrevo...
Primeira Parte, capítulo 7: Um apartamento sinistro
Mestre em magia negra, Woland
Ialta, ora...
Primeira Parte, capítulo 8: O duelo entre o professor e o poeta
Aqui o ajudarão... está me ouvindo?... Aqui o ajudarão... O senhor se sentirá aliviado. É silencioso e tranquilo aqui... Aqui o ajudarão...
A concordância de Ivan vem pensada e dita com firmeza, sinal de quanto a lógica do doutor já tinha vencido antes da pergunta ser feita. Eu sou normal.
Primeira Parte, capítulo 9: Truques de Korôviev
O que significa ser representante oficial ou não oficial? Tudo isso depende de que ponto de vista você olha para o objeto. Tudo isso, Nikanor Ivânovitch, é relativo e instável.
Primeira Parte, capítulo 10: Notícias de Ialta
Deixe eu lhe dar um beijinho
Primeira Parte, capítulo 11: A duplicação de Ivan
Um idiota!
Primeira Parte, capítulo 12: Magia negra e sua revelação
São pessoas como outras quaisquer. Gostam de dinheiro, mas sempre foi assim... A humanidade gosta de dinheiro, independentemente do que seja feito: de couro, de papel, de bronze ou ouro. Bom, são levianas... fazer o quê... a misericórdia às vezes bate em seus corações... são pessoas comuns... em geral fazem lembrar as pessoas de antigamente... só que o problema habitacional as corrompeu...
A dor cômica do mestre de cerimônias, gritando pela própria cabeça decepada e devolvida, é o contraponto físico ao veredito de Woland: a plateia que acabou de pedir clemência é a mesma que, minutos antes, brigava pelas notas caindo do teto. Minha cabeça, minha cabeça!
Primeira Parte, capítulo 13: Surge o herói
Ontem, em Patriarchi Prudý, o senhor se encontrou com Satanás.
Sou um mestre.
Ela levava nas mãos flores abomináveis, de um amarelo inquietante.
O amor surgiu diante de nós, como um assassino que surge do nada em uma travessa, e nos acertou em cheio.
É muito difícil fazer isso, porque o papel escrito queima a contragosto.
Garanto ao senhor que as obras de Ariman e Lavrôvitch não passavam de brincadeira em comparação com o que fora escrito por Latunski.
Vou salvá-lo, vou salvá-lo. O que significa tudo isso?
Primeira Parte, capítulo 14: Glória ao galo!
Não ligue para ninguém, Rímski, será pior...
O galo, com a voz treinada, cocoricava anunciando que o dia se aproximava de Moscou vindo do leste.
Primeira Parte, capítulo 15: O sonho de Nikanor Ivânovitch
Aceitei o dinheiro! Aceitei sim, só que era dinheiro nosso, soviético!
Seja bem-vindo, Nikanor Ivânovitch! Entregue o dinheiro estrangeiro!
Isso mesmo, não tenho
Uma criança, uma carta anônima, um panfleto, uma bomba-relógio e sabe-se lá o que mais, mas ninguém se desfaria de quatrocentos dólares
Primeira Parte, capítulo 16: A execução
O mais resignado de todos era Yeshua.
Tu és um deus negro! Eu te amaldiçoo, deus dos bandidos, protetor e alma deles!
Dê glória ao generoso Hegemon!
Hegemon...
Primeira Parte, capítulo 17: O dia intranquilo
Atrás da enorme mesa de escritório, com um tinteiro maciço, estava o terno vazio, que escrevia com a pena seca pelo papel.
Diante de seus olhos havia um monte de dinheiro estrangeiro.
Primeira Parte, capítulo 18: Os visitantes azarados
O motivo era um só, o apartamento. O apartamento em Moscou!
Volte imediatamente para Kíev [...] finja-se de morto e não sonhe com qualquer apartamento em Moscou, está claro?
Quanto tem de economia?
A aparência perfeita da moça tinha somente um defeito, que era a cicatriz rósea em seu pescoço.
ele irá morrer daqui a nove meses, em fevereiro do ano que vem, de câncer de fígado
Não seria melhor organizar uma festa com esses vinte e sete mil e, depois de tomar veneno, passar para o outro mundo sob o som de cordas, cercado de belas mulheres embriagadas e amigos alegres?
Segunda Parte, capítulo 19: Margarida
Tinha que ou esquecê-lo, ou morrer. Pois não podia mais levar a vida assim.
Enviaram-me para convidá-la para hoje à noite.
Quem lhe disse que não existe no mundo o verdadeiro, o fiel, o eterno amor? Pois que cortem a língua desse mentiroso infame!
Segunda Parte, capítulo 20: O creme de Azazello
Perdoe-me e me esqueça o mais rápido possível. Estou te abandonando para a eternidade. Não me procure, é inútil. Tornei-me uma bruxa por causa das desgraças e das tristezas que me atingiram. Está na minha hora. Adeus.
Segunda Parte, capítulo 21: O voo
Latunski! [...] Latunski! Foi ele que... Foi ele que acabou com o mestre!
O crítico Latunski nasceu sob a luz da estrela da sorte. Ela o salvou do encontro com Margarida, que se transformara em bruxa.
Não tenha medo, não tenha medo, meu pequeno [...], foram os meninos que quebraram os vidros.
Segunda Parte, capítulo 22: À luz de velas
Saúdo a senhora, rainha, e peço que me perdoe pelos meus trajes caseiros.
A bruxa nua, aquela mesma Hella que tanto envergonhara o funcionário da lanchonete do Teatro de Variedades e aquela que, felizmente, se assustara com o galo na noite da famosa sessão, estava sentada no tapete ao lado da cama
Ele não teve tempo de pecar. O trabalho de Abaddon é impecável.
Ele é imparcial e tende a ter compaixão pelos dois lados. Como consequência disso, os resultados dos dois lados são iguais.
Segunda Parte, capítulo 23: O grande baile de satanás
Já o queimou no forno, já o afogou no rio, mas o lenço continua lá e nada ajuda.
Frida, Frida, Frida! Meu nome é Frida, oh, rainha!
Então beba até ficar bêbada hoje, Frida, e não pense em nada
Isso é fato. E um fato é a coisa mais teimosa do mundo.
Abaddon surgiu diante do barão e, por um segundo, tirou os óculos.
Segunda Parte, capítulo 24: O resgate do mestre
A marca feita por Margarida havia sido perfurada com a bala.
Não, por favor, meu senhor, não precisa disso, eu suplico!
Nunca peça nada! Nunca peça nada, principalmente àqueles que são fortes. Eles vão oferecer por conta própria e darão tudo também.
Quero que parem de estender à Frida o lenço com o qual ela sufocou seu próprio bebê.
Você está sendo perdoada. Não vão mais estender o lenço.
Não chore, Margot, não me faça sofrer. Estou muito doente.
Desculpe, não posso acreditar [...], isso não é possível. Manuscritos não ardem.
abra parênteses, Hella, parênteses! Entre parênteses escreva “porco”. Assinado: Behemoth.
Segunda Parte, capítulo 25: Como o procurador tentou salvar Judas de Kerioth
Disse somente que entre todas as fraquezas humanas a que ele considera pior é a covardia.
peço ao senhor que se ocupe disso, ou seja, tome todas as medidas para a segurança de Judas de Kerioth
No entanto, vão matá-lo hoje — repetiu, com teimosia, Pilatos — e digo ao senhor: estou pressentindo isso! Minha intuição nunca me enganou
Com a minha chegada a Yerushalaim, lembra-se, uma multidão de mendigos... eu queria jogar-lhes dinheiro e não tinha comigo, peguei do senhor.
Segunda Parte, capítulo 26: O sepultamento
Trinta tetradracmas! Trinta tetradracmas! Tudo que recebi está comigo. Está aqui o dinheiro! Tomem, mas me deixem viver
Devolvo o dinheiro maldito
Peço que me entregue ao tribunal, procurador. O senhor estava certo. Eu não soube proteger o Judas de Kerioth, ele foi esfaqueado e morto. Quero ser julgado e demitido.
Foi morto com uma habilidade impressionante, procurador
Vou matar Judas de Kerioth; a isso, sim, dedicarei o resto da minha vida
Fui eu
Segunda Parte, capítulo 27: O fim do apartamento número 50
Não estou fazendo nada, não estou incomodando ninguém, estou consertando o fogareiro [...] e ainda considero uma obrigação avisar que o gato é um animal antigo e sagrado
Segunda Parte, capítulo 28: As últimas aventuras de Korôviev e Behemoth
Aqui a venda é só com dinheiro estrangeiro
O discurso de Korôviev não defende o furto, expõe o critério de entrada, e o alvo não é o vendedor: é o cliente que pode pagar. está trajando um terno social lilás, está inchado de tanto salmão, mas tem dinheiro estrangeiro, e o nosso, o nosso?!
Na porta, a cidadã do livro de registro pede a identidade de escritor da dupla, e Korôviev inverte o critério da casa. Não são as identidades que definem um escritor, mas aquilo que ele escreve!
Segunda Parte, capítulo 29: O destino do mestre e de Margarida é decidido
o que faria a sua bondade se não existisse a maldade, como seria a terra se dela sumissem as sombras
Ele leu a obra do mestre [...] e pede que você leve o mestre consigo e lhe devolva a tranquilidade
Ele não fez por merecer a luz, fez por merecer a tranquilidade
Segunda Parte, capítulo 30: Está na hora! Está na hora!
Envenenador...
Segunda Parte, capítulo 31: Nas colinas dos pardais
Está na hora!!
Segunda Parte, capítulo 32: Perdão e refúgio eterno
Deuses, meus Deuses! Como está triste a terra à noite! [...] entrega-se nas mãos da morte com o coração leve, sabendo que somente ela...
Aquele gato que divertia o príncipe das trevas revelou-se um jovem magrinho, um demônio pajem, o melhor bobo da corte que existia no mundo.
Agora, Azazello voava em sua aparência verdadeira, como um demônio do deserto sem água, demônio assassino.
Há aproximadamente dois mil anos ele está nesse local e dorme, mas, quando chega a lua cheia, como está vendo, fica atormentado pela insônia.
Woland retoma a frase de Yeshua Ha-Notzri ao apresentar o prisioneiro dos dois mil anos, e a usa para absolver quem estava ao lado dele. Caso seja verdade que a covardia é o pior defeito, então penso que o cachorro não é culpado.
Ao grito de Margarida para que deixem Pilatos ir, Woland responde que a intercessão já foi feita por outro. Não precisa interceder por ele, Margarida, pois aquele que quer conversar com ele o fez.
Está livre! Está livre! Ele está esperando por você!
Não — respondeu Woland. — Para que ir atrás daquilo que já acabou?
Para lá, para lá! Lá o aguardam uma casa e o velho escravo, as velas já estão acesas, mas logo se apagarão, porque você encontrará o amanhecer imediatamente.
Ouça o sossego [...] ouça e deleite-se com aquilo que não lhe deram em vida, o silêncio.
perdoado na véspera do domingo, o filho do rei astrólogo, o cruel quinto procurador da Judeia, o cavaleiro Pôncio Pilatos.
Epílogo
Terminou assim, meu discípulo
Que execução vil! Por favor, diga-me [...] que ela não existiu! Suplico, diga-me, não existiu?