Resumo do capítulo
Margarida sobrevoa Moscou, quebra sem querer o vidro de um relógio de rua e, ao ler no mural do prédio da Casa da Dramlit o nome do crítico Latunski (o homem cujo artigo destruiu a publicação do romance do mestre, e com isso o próprio mestre), grita.
Análise
Latunski! [...] Latunski! Foi ele que... Foi ele que acabou com o mestre!
Latunski não está em casa, e o narrador diz que ele deve isso à reunião de luto marcada por causa da morte de Berlioz.
O crítico Latunski nasceu sob a luz da estrela da sorte. Ela o salvou do encontro com Margarida, que se transformara em bruxa.
Invade o apartamento de Latunski e o destrói com um martelo, inunda os vizinhos de baixo, e só para quando encontra, num quarto do terceiro andar, um menino sozinho e assustado; acalma-o com uma mentira gentil e o adormece com uma história sobre uma tia que virou bruxa má.
Não tenha medo, não tenha medo, meu pequeno [...], foram os meninos que quebraram os vidros.
Depois voa para fora da cidade, encontra Natacha (montada no vizinho Nikolai Ivânovitch, transformado em porco pelo creme) e desce até um rio, onde bruxas e sátiros festejam sob os salgueiros antes de um carro vir buscá-la de volta a Moscou.
A cena do menino é o único momento do voo em que Margarida usa o poder recém-ganho para consolar, não para destruir ou seduzir; o romance a coloca logo depois da vingança contra Latunski, como se quisesse mostrar as duas faces da mesma força antes do baile.
Para discutir Margarida destrói o apartamento do crítico que arruinou o mestre e inunda os vizinhos de baixo, mas para ao encontrar um menino assustado. O que a interrupção da vingança diz sobre a justiça dessa violência?
Para discutir Margarida acalma o menino com uma mentira gentil: "foram os meninos que quebraram os vidros". Que valor tem uma mentira piedosa num romance em que a comitiva de Woland expõe verdades que ninguém quer ouvir?