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O Mestre e Margarida · Primeira Parte · Capítulo 6

Esquizofrenia, como foi dito

Resumo do capítulo

Madrugada adentro, um médico de plantão, de cavanhaque pontudo (ver A clínica de Stravinski) interroga Ivan Nikoláievitch Bezdômny na clínica psiquiátrica para onde foi trazido amarrado, e a cada resposta (o ícone pendurado no peito, a vela acesa, a perseguição de ceroulas) confirma o diagnóstico que já trazia pronto antes de ouvir a primeira palavra.

Análise

Excitação motora e verbal... interpretações delirantes... um caso complexo, pelo visto... Esquizofrenia, deve-se supor. E, ainda por cima, o alcoolismo...

O poeta Riúkhin, que ajudou a trazer Ivan até ali, volta sozinho de caminhão para Moscou remoendo os xingamentos que o amigo jogou nele minutos antes, e percebe que o que o atormenta não é a grosseria, é a exatidão.

O problema não é que sejam ofensivas, e sim que encerram a verdade.

Passando diante da estátua de Púchkin, Riúkhin se convence de que a própria carreira de poeta nunca vai dar em nada, porque não acredita no que escreve.

A glória nunca chegará àquele que escreve poemas ruins. E por que são ruins? A verdade, ele disse a verdade! [...] Não acredito em uma palavra do que escrevo...

Para discutir O médico pergunta a Ivan pela vela e pelo ícone e depois diz a Riúkhin que se trata de esquizofrenia, com alcoolismo por cima. O que a cena mostra sobre o que acontece com quem conta uma verdade impossível a quem só sabe escutar por sintomas?

Para discutir Riúkhin conclui que as ofensas de Ivan o atormentam porque "encerram a verdade". Por que a verdade pesa mais do que a grosseria, e o que o capítulo faz com a ideia de que um poeta pode escrever versos em que não acredita?