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O Mestre e Margarida · Primeira Parte · Capítulo 15

O sonho de Nikanor Ivânovitch

Resumo do capítulo

Antes do sonho, no interrogatório, Nikanor Ivânovitch Bossôi admite ter aceitado o maço de Korôviev, mas jura que era em rublos e nega ter tocado em moeda estrangeira (ver O dinheiro estrangeiro).

Análise

Aceitei o dinheiro! Aceitei sim, só que era dinheiro nosso, soviético!

Nikanor Ivânovitch Bossôi, o presidente do comitê predial preso pelos dólares em que se transformou o maço de rublos recebido de Korôviev (episódio do capítulo 9), sonha, já sedado na clínica de Stravinski (ver A clínica de Stravinski), que é convidado a subir ao palco de um teatro onde um animador cordial pede, a plenos pulmões, que a plateia inteira de moscovitas entregue o dinheiro estrangeiro escondido em casa.

Seja bem-vindo, Nikanor Ivânovitch! Entregue o dinheiro estrangeiro!

No palco do sonho ele mantém a versão do interrogatório: jura que não tem moeda estrangeira e atribui os dólares do banheiro ao tradutor de roupa xadrez.

Isso mesmo, não tenho

Um espectador, Kanávkin, confessa ter mil dólares escondidos na casa da tia e é aplaudido como herói; outro, Duntchil, nega até ser confrontado com a própria amante, que entrega o esconderijo por ele. O animador comenta, irônico, o que ninguém no sonho consegue admitir.

Uma criança, uma carta anônima, um panfleto, uma bomba-relógio e sabe-se lá o que mais, mas ninguém se desfaria de quatrocentos dólares

A cena satiriza uma política real da URSS do final dos anos 1920 e início dos 1930: campanhas de confisco de ouro e moeda estrangeira, sustentadas por delação e prisão, que forçavam cidadãos comuns a "confessar" reservas guardadas em casa.

Nikanor acorda gritando que não tem nada, e o alarme de seu pesadelo se propaga pelos quartos vizinhos, entre eles o do mestre e o de Ivan Nikoláievitch Bezdômny, que volta a adormecer já sonhando com o Gólgota.

Para discutir No sonho de Nikanor, o animador pede que a plateia entregue o dinheiro estrangeiro: quem confessa é aplaudido, e quem nega é desmentido pela própria amante. Que retrato de uma sociedade essa cena compõe, e por que o romance o mostra em sonho?

Para discutir Nikanor admite ter aceitado o maço, mas insiste que era "dinheiro nosso, soviético". Por que essa distinção lhe parece suficiente para se declarar inocente, e o que o capítulo faz com ela?