Resumo do capítulo
Maksimilian Andrêievitch Poplavski, tio de Berlioz e morador de Kíev, viaja a Moscou depois de receber um telegrama confuso sobre a morte do sobrinho. O narrador não deixa dúvida sobre o real motivo da viagem.
Análise
O motivo era um só, o apartamento. O apartamento em Moscou!
Ao chegar ao apartamento número 50, é recebido por Korôviev encenando um choro teatral e depois pelo próprio gato, que exige seu passaporte, declara suspensa a presença dele no enterro e chama Azazello para expulsá-lo.
Volte imediatamente para Kíev [...] finja-se de morto e não sonhe com qualquer apartamento em Moscou, está claro?
Suas malas são jogadas escada abaixo, ele é agredido com a própria galinha assada que trazia de viagem e foge sem sequer pensar em recorrer à polícia, ciente de como soaria a própria queixa. Pouco depois, Andrei Fokitch Sókov, gerente da lanchonete do teatro, visita o mesmo apartamento para reclamar do dinheiro que virou papel picado no caixa e é recebido por Woland em pessoa, que devolve o assunto com uma pergunta.
Quanto tem de economia?
Quem abrira a porta a Sókov fora uma moça nua, de avental de renda, que Korôviev chama de Hella ao mandá-la acompanhar o visitante na saída; o narrador nota nela um único defeito.
A aparência perfeita da moça tinha somente um defeito, que era a cicatriz rósea em seu pescoço.
Sem que Sókov tenha dito nada, uma voz do quarto ao lado revela a soma exata que ele guarda em poupanças e sob o assoalho de casa, e a mesma voz anuncia, com a segurança fria com que Berlioz fora sentenciado no capítulo 1, o prazo e a causa da própria morte de Sókov.
ele irá morrer daqui a nove meses, em fevereiro do ano que vem, de câncer de fígado
Para discutir Sókov pede que Woland "elimine" um câncer que ainda não deu sintoma algum, em vez de perguntar como aproveitar os nove meses que lhe restam. O que isso revela sobre o que ele valoriza mais, o tempo de vida ou o dinheiro acumulado para gastar depois dele?
Diante da recusa em gastar o próprio dinheiro, Woland propõe a alternativa que o gerente jamais consideraria.
Não seria melhor organizar uma festa com esses vinte e sete mil e, depois de tomar veneno, passar para o outro mundo sob o som de cordas, cercado de belas mulheres embriagadas e amigos alegres?
Sókov sai do apartamento com o dinheiro restituído, mas perseguido por uma última humilhação: o próprio chapéu se transforma num gatinho agarrado à sua careca. Já fora do prédio, apavorado com o diagnóstico, corre a um médico de verdade, que não encontra vestígio algum de câncer e o manda cuidar dos nervos.
Para discutir O narrador diz sem rodeios que "O motivo era um só, o apartamento" ao explicar a viagem do tio de Berlioz. Por que o romance expõe a motivação do tio com tanta franqueza, e como isso muda o modo de o leitor assistir à sua expulsão?
Para discutir Woland pergunta a Sókov "Quanto tem de economia?" e depois propõe organizar uma festa com o dinheiro antes da morte. A proposta é cínica, sensata ou as duas coisas, e o que ela revela sobre o modo como Woland julga os moscovitas?