Clavis Libri

Personagem

Berlioz

Quem é

Editor de revista e presidente do conselho da associação literária Massolit, ateu e racionalista, que no banco de Patriarchi Prudý quer convencer Ivan a negar que Jesus tenha existido, citando Fílon de Alexandria e Flávio Josefo como historiadores que nunca o mencionaram. A objeção de bom senso que ele prepara contra o estrangeiro é desmontada por um advérbio.

A objeção que Berlioz prepara é a do bom senso, que o ser humano é mortal, e o estrangeiro a desmonta acrescentando um advérbio. É, o ser humano é mortal, mas isso ainda seria só metade da desgraça. O ruim é que às vezes ele é mortal de repente, aí é que mora o perigo! E em geral ele não pode nem dizer o que fará na tarde de hoje.
Primeira Parte, capítulo 1: Nunca falem com estranhos

Trajetória

No capítulo 1 ouve do estrangeiro como vai morrer; no capítulo 3 conclui com Ivan que o homem é louco e corre para telefonar ao departamento de estrangeiros. No caminho escorrega no óleo de girassol derramado por Ánnuchka e cai sob um bonde. No capítulo 5, na Griboiêdov, doze escritores esperam por ele para a reunião das dez, e, depois que a notícia chega ao restaurante, o substituto Jeldýbin se instala no gabinete dele.

Vão cortar sua cabeça!
Primeira Parte, capítulo 1: Nunca falem com estranhos
Era a cabeça decepada de Berlioz
Primeira Parte, capítulo 3: A sétima prova
A sátira do capítulo está na proporção: a notícia da morte de Berlioz interrompe a dança por poucos minutos, e depois "estamos vivos, ora!" volta a valer mais do que o luto.
Primeira Parte, capítulo 5: Aconteceu na Griboiêdov

No capítulo 9 o que resta dele em Moscou são os cômodos vagos, disputados em trinta e duas reclamações de vizinhos, e, no capítulo 11, a denúncia que Ivan não consegue escrever porque não sabe falar do "falecido" como sujeito de uma frase.

No capítulo 18 o tio, Poplavski, viaja de Kíev a Moscou depois do telegrama sobre a morte do sobrinho.

O motivo era um só, o apartamento. O apartamento em Moscou!
Primeira Parte, capítulo 18: Os visitantes azarados

No capítulo 19 a cidade o enterra sem a cabeça, roubada do caixão naquela manhã, e no capítulo 23, no fim do baile, Azazello traz a cabeça num prato, e Woland lhe diz que a teoria dele, de que a morte é o fim de tudo, vai se cumprir nele, pois a cada um é dado de acordo com a sua crença; a cabeça vira taça.

Isso é fato. E um fato é a coisa mais teimosa do mundo.
Segunda Parte, capítulo 23: O grande baile de satanás

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Sobrenatural, Razão e Morte. A leitura do capítulo 1 sobre o que a morte dele faz com o argumento dele:

É a tese que a cena inteira vai desmontar: o romance não refuta o ateísmo dos dois com um argumento, refuta com um fato que acontece.
Primeira Parte, capítulo 1: Nunca falem com estranhos

A cabeça é o fio de Berlioz no livro inteiro: é ela que o estrangeiro anuncia em Patriarchi Prudý, é ela que o bonde corta, é ela que falta no caixão e é ela que chega a Woland num prato no fim do baile, para ouvir que a teoria do dono vai se cumprir nele, antes de virar taça.

Relações

  • Ivan Nikoláievitch Bezdômny: o poeta a quem ele encomenda a negação de Jesus e que presencia a morte dele.
  • Woland: o estrangeiro que lhe anuncia a morte e recebe a cabeça dele no baile.