Resumo do capítulo
Margarida Nikoláievna, trinta anos, casada com um marido rico e bom a quem não ama, vive há meses de luto por um homem que ninguém sabe se está vivo, o O mestre, que sumiu sem deixar rastro depois de queimar o próprio romance.
Análise
Tinha que ou esquecê-lo, ou morrer. Pois não podia mais levar a vida assim.
Na sexta-feira, Margarida acorda com o pressentimento de que algo vai mudar, depois de sonhar pela primeira vez com o mestre, em trapos, chamando-a com a mão diante de uma casa de troncos num lugar desolado. Relê o trecho queimado do romance que guarda num álbum e vai se sentar num banco junto ao muro do Kremlin, no dia em que a cidade enterra Berlioz sem a cabeça, roubada do caixão naquela manhã (o gancho vem do capítulo 3). Um ruivo de canino aparente puxa conversa durante o cortejo e lhe aponta Latunski entre os que seguem o caixão, o crítico que ela odeia. É Azazello, e depois de irritar e depois seduzir Margarida em partes iguais, chega ao ponto.
Enviaram-me para convidá-la para hoje à noite.
Quando ela, ofendida, se afasta, ele a chama de volta recitando a frase do romance queimado ("A escuridão vinda do mar Mediterrâneo encobriu a cidade odiada pelo procurador") e mostrando que sabe do caderno e da rosa seca. Margarida pergunta se o mestre está vivo, ouve que sim, e aceita ir porque Azazello garante que, indo, ela poderá saber de tudo sobre ele. Recebe então um creme numa caixinha de ouro, com a instrução de passá-lo às nove e meia da noite e esperar o telefonema das dez.
O narrador se dirige a quem lê logo na primeira linha do capítulo, um recurso raro no romance, que repete aqui o chamado com que fechara a Primeira Parte, no fim do capítulo 18.
Quem lhe disse que não existe no mundo o verdadeiro, o fiel, o eterno amor? Pois que cortem a língua desse mentiroso infame!
Para discutir Margarida vive com um marido rico e bom, e o narrador diz dela: "Tinha que ou esquecê-lo, ou morrer." O que essa alternativa extrema diz sobre o tipo de amor que o romance põe em cena?
Para discutir Margarida só volta ao banco e escuta Azazello depois que ele recita uma frase do romance queimado e menciona o caderno e a rosa seca. Por que sinais do mestre pesam mais para ela do que qualquer argumento, e o que isso mostra sobre o que ela espera do convite?