Resumo do capítulo
De volta a Moscou, no apartamento 50 (ver O apartamento 50) da rua Sadôvaia, o apartamento sinistro do capítulo 7, Korôviev recebe Margarida com uma lamparina e explica, tagarela, a quinta dimensão que permite ao apartamento caber um salão de baile inteiro. Ali ela é apresentada à comitiva completa: Azazello, Hella (cuidando do joelho doente de Woland) e Behemoth, o gato preto que joga xadrez com peças vivas. Por fim conhece Woland, deitado, doente, numa camisa suja e remendada.
Análise
Saúdo a senhora, rainha, e peço que me perdoe pelos meus trajes caseiros.
Ao mostrar Hella, sentada no tapete ao lado da cama, o narrador a identifica com a moça que abriu a porta a Sókov e com a vampira que o galo afugentou na noite de Rímski.
A bruxa nua, aquela mesma Hella que tanto envergonhara o funcionário da lanchonete do Teatro de Variedades e aquela que, felizmente, se assustara com o galo na noite da famosa sessão, estava sentada no tapete ao lado da cama
Korôviev explica a condição: toda dona do baile da lua (ver A lua) cheia precisa se chamar Margarida e ser nativa da cidade; entre cento e vinte e uma Margaridas de Moscou, só ela tinha o perfil desejado, porque, diz Korôviev, carrega sangue de rainha de uma tataravó francesa do século XVI.
Depois de apresentar a comitiva como completa, Woland gira o globo e mostra a Margarida uma guerra que começa numa terra banhada pelo oceano: uma casa vai pelos ares, e ficam no chão uma mulher e, numa poça de sangue, uma criança pequena.
Ele não teve tempo de pecar. O trabalho de Abaddon é impecável.
Margarida pergunta de que lado está Abaddon, e Woland responde antes de chamá-lo: surge por trás da parede um homem magro, de óculos escuros, que Woland não deixa tirar os óculos.
Ele é imparcial e tende a ter compaixão pelos dois lados. Como consequência disso, os resultados dos dois lados são iguais.
Para discutir Woland mostra a Margarida, num globo, uma casa que explode numa guerra e uma criança caída numa poça de sangue, e diz: "O trabalho de Abaddon é impecável." Como entender o elogio, e o que ele sugere sobre a posição de Woland diante da morte de inocentes?
Para discutir Woland descreve Abaddon como alguém que "é imparcial e tende a ter compaixão pelos dois lados", de modo que "os resultados dos dois lados são iguais". O que significa ser imparcial e ainda assim compadecer-se, e por que isso não muda o desfecho?