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O Mestre e Margarida · Segunda Parte · Capítulo 26

O sepultamento

Resumo do capítulo

À noite, atormentado, Pôncio Pilatos brinca com o cão Banga na varanda enquanto Afrânio põe o plano em movimento: destaca soldados para fora da cidade, veste-se de civil e vai até a Cidade Baixa combinar algo com uma mulher chamada Niza. É Niza quem, horas depois, atrai Judas de Kerioth para o jardim de Getsêmani com a promessa de um encontro, e o abandona ali. Dois homens saltam da escuridão, cravam a faca em Judas depois de arrancar-lhe a bolsa de trinta tetradracmas, e um terceiro, encapuzado, supervisiona a cena e entrega o bilhete que os assassinos embrulham junto com a bolsa.

Análise

A cena repete, em espelho, o próprio esquema que Judas usou contra Yeshua Ha-Notzri: também ele é atraído por afeto fingido e vendido por dinheiro, e a réplica narrativa é deliberada, porque devolve ao traidor a lógica exata da traição.

Trinta tetradracmas! Trinta tetradracmas! Tudo que recebi está comigo. Está aqui o dinheiro! Tomem, mas me deixem viver

O saco é jogado, com um bilhete, no pátio do palácio de Caifás, para simular a vingança de admiradores anônimos de Yeshua.

Devolvo o dinheiro maldito

Ainda de noite, sob a lua (ver A lua), Pilatos é acordado com a chegada de Afrânio, que relata tudo como se a própria guarda tivesse falhado em proteger Judas, e o procurador finge indignação, elogia o trabalho do chefe da guarda e trata do sepultamento dos três executados, entre eles Yeshua, cujo corpo Mateus Levi levara para uma caverna do monte, reclamando o direito de sepultá-lo.

Peço que me entregue ao tribunal, procurador. O senhor estava certo. Eu não soube proteger o Judas de Kerioth, ele foi esfaqueado e morto. Quero ser julgado e demitido.

Perguntado se Judas não teria se matado, Afrânio recusa a hipótese e descreve o crime com um olhar irônico para o procurador; no fim da conversa recebe de Pilatos um anel, "como uma recordação".

Foi morto com uma habilidade impressionante, procurador

Levado à presença de Pilatos, Mateus Levi recusa a oferta de servir na biblioteca do procurador em Cesareia e declara que vai dedicar o resto da vida a vingar Yeshua matando Judas.

Vou matar Judas de Kerioth; a isso, sim, dedicarei o resto da minha vida

Pilatos então revela o que fizera:

Fui eu

A revelação fecha a conversa com Levi: a autoridade que condenou Yeshua por covardia perante César é a mesma que, à traição, executa em segredo a justiça que a lei não lhe permitiria fazer em público.

Para discutir Judas é atraído a Getsêmani por uma mulher que finge afeto e morto por homens que lhe tomam a bolsa de dinheiro, depois de ter entregado Yeshua por dinheiro, após acolhê-lo em casa. Esse paralelo é justiça ou é outra traição?

Para discutir Pilatos diz a Levi "Fui eu" ao revelar quem fez aquilo com Judas. O que muda no sentido da palavra justiça quando ela é feita em segredo por quem, em público, condenou Yeshua?