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O Mestre e Margarida · Primeira Parte · Capítulo 5

Aconteceu na Griboiêdov

Resumo do capítulo

A casa Griboiêdov é a sede da Massolit, dividida entre escritórios que administram os privilégios da associação (viagens, casas de veraneio, licenças criativas) e um restaurante considerado o melhor de Moscou. O narrador se demora no efeito que isso produz em quem chega de fora, e o objeto que concentra o privilégio é uma carteirinha.

Análise

logo compreendia como era boa a vida dos felizardos membros da Massolit e logo começava a se morder de inveja, atormentado. E logo dirigia queixas amargas aos céus por não tê-lo premiado, ao nascer, com o talento literário, sem o qual, naturalmente, não podia nem sonhar em ser dono de uma carteirinha de membro da Massolit, cor de café, que cheira a couro caro e tem um largo debrum dourado

A ironia está no que o narrador finge admitir: o privilégio seria prêmio do talento literário. O romance já mostrou que a Massolit não distribui nada por talento, e é justamente por isso que a inveja do visitante é a reação exata, e não a mesquinha que ele acha que é. O que se inveja ali não é a obra de ninguém, é a carteirinha. Doze escritores esperam Berlioz para uma reunião marcada às dez, sem saber que ele já está morto sobre uma mesa de necrotério; quando a notícia chega ao restaurante do andar de baixo, a orquestra de jazz silencia e se dispersa, o substituto Jeldýbin chega do necrotério e se instala no gabinete do morto, e o restaurante volta à sua noite normal.

A sátira do capítulo está na proporção: a notícia da morte de Berlioz interrompe a dança por poucos minutos, e depois "estamos vivos, ora!" volta a valer mais do que o luto.

É nesse restaurante que Ivan Nikoláievitch Bezdômny aparece, descalço, de ceroulas, com a vela acesa e o ícone de papel preso no peito, gritando que o assassino de Berlioz está à solta e precisa ser detido antes que cause mais desgraças.

Ele apareceu! Vocês têm que apanhá-lo logo, do contrário ele causará desgraças indescritíveis!

Tentando lembrar o sobrenome do estrangeiro, Ivan só consegue recordar a inicial.

W, w, w... Wa... Wo... Washner? Wagner? Weiner? Wegner? Winter?

Ninguém o leva a sério; um colega tenta acalmá-lo chamando-o de "camarada Bezdômny" e Ivan responde com um tapa. A confusão termina com garçons amarrando-o com toalhas e a polícia o levando para o hospital psiquiátrico, o mesmo lugar para onde, capítulos adiante, será levado quem tentar contar a verdade sobre aquela noite.

Para discutir O narrador descreve a inveja do visitante como se a carteirinha da Massolit fosse prêmio de talento literário. Por que o romance fala com essa pose de ingenuidade, e o que ela permite dizer sobre a associação?

Para discutir A notícia da morte de Berlioz faz a banda de jazz silenciar, mas logo "estamos vivos, ora!" passa a valer mais do que o luto, e o restaurante volta à sua noite normal. O que essa rapidez diz sobre a Massolit, e como o narrador espera que o leitor reaja?