Resumo do capítulo
O procurador da Judeia, Pôncio Pilatos, sofre de uma enxaqueca insuportável e odeia o cheiro de óleo de rosas que o persegue desde o amanhecer, na manhã em que recebe para julgamento o prisioneiro Yeshua Ha-Notzri, acusado de incitar o povo a destruir o templo de Yerushalaim. Yeshua o chama de "bom homem", e Pilatos manda o centurião Marcos, apelidado Mata-ratos, ensinar-lhe a chamá-lo de Hegemon, com um golpe de chicote que o derruba no chão.
No interrogatório, Yeshua explica que não pregou destruir o templo, e sim que o templo da velha crença ruirá e um novo templo da verdade se erguerá em seu lugar. Conta que um jovem chamado Judas de Kerioth o convidou à própria casa, tratou-o com hospitalidade e perguntou insistentemente sua opinião sobre o poder do Estado.
Análise
qualquer poder é uma violência contra as pessoas e que chegará o tempo em que não haverá mais o poder [...] O homem passará para o reino da verdade e da justiça, onde não haverá necessidade de poder algum
Foi por essa resposta que homens entraram e o prenderam. Pilatos entende, pela pergunta sobre Judas, que a acusação contra Yeshua nasceu de uma armadilha, e não de um crime, mas o registro escrito o incrimina de qualquer forma.
Yeshua também nomeia, sem hesitar, o que vê no próprio procurador.
A verdade, antes de tudo, é que a sua cabeça está doendo, e dói tão forte que você covardemente pensa na morte
E completa dizendo que Pilatos não tem ninguém a quem seja afeiçoado além do próprio cachorro, Banga, e que sua vida é sem graça. É a segunda vez no capítulo que o prisioneiro amarrado enxerga mais do que o juiz que o interroga.
Para discutir O que muda no julgamento a partir do instante em que quem tem o poder sobre a vida do outro é também quem recebe dele o diagnóstico mais exato que já ouviu?
Perguntado por que chama todo mundo de "boas pessoas", inclusive o centurião que acabara de chicoteá-lo, Yeshua responde com a frase que o romance inteiro vai pôr à prova. Não existem pessoas maldosas no mundo.
Convencido de que Yeshua é apenas um filósofo vadio e doente mental, sem ligação com as desordens de Yerushalaim, Pilatos formula mentalmente a sentença mais branda possível, a prisão em Cesareia, mas dois fatos a impedem: o processo registra uma fala de Yeshua contra o poder de César, que soa como traição, e a tradição da Páscoa obriga a soltar um preso, e o sumo sacerdote Caifás, por três vezes, escolhe soltar o bandido Bar-Raban, não Yeshua.
Você há de convir que, decerto, só poderá cortar o fio aquele que o pendurou, não é mesmo?
Yeshua responde assim quando Pilatos ameaça sua vida, e é a mesma serenidade com que garante, mais adiante, que o reino da verdade virá. Pilatos grita a resposta contrária, réplica e negação ao mesmo tempo.
Ele nunca virá!
Diante da multidão reunida na praça, Pilatos confirma a sentença de morte de Yeshua Ha-Notzri, Dismas e Gestas, e anuncia que Bar-Raban é o liberado. São aproximadamente dez horas da manhã.
Para discutir Yeshua afirma que "Não existem pessoas maldosas no mundo" depois de ter sido golpeado pelo centurião Marcos Mata-ratos. Essa convicção é força, ingenuidade ou outra coisa, e o que o próprio capítulo oferece como argumento a favor ou contra ela?
Para discutir Pilatos conclui que Yeshua é apenas um filósofo inofensivo e, mesmo assim, confirma a sentença de morte diante da multidão. Que forças o capítulo mostra pesando sobre essa decisão, e quanto Pilatos poderia ter escolhido de outro modo?