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O Mestre e Margarida · Segunda Parte · Capítulo 28

As últimas aventuras de Korôviev e Behemoth

Resumo do capítulo

Korôviev e Behemoth reaparecem no centro de Moscou e provocam dois incêndios em sequência. No primeiro, a loja Torgsin, Behemoth come frutas e doces do balcão sem pagar, Korôviev discursa em defesa do "pobre faminto" diante do público, e a confusão termina com a loja em chamas depois que o gato derrama a gasolina do fogareiro sobre o balcão.

A regra da casa é enunciada logo na porta, pelo porteiro, e é ela que faz da loja um alvo.

Análise

Aqui a venda é só com dinheiro estrangeiro

O discurso de Korôviev não defende o furto, expõe o critério de entrada, e o alvo não é o vendedor: é o cliente que pode pagar. está trajando um terno social lilás, está inchado de tanto salmão, mas tem dinheiro estrangeiro, e o nosso, o nosso?!

É a cena mais diretamente documental do romance, e por isso a mais citada fora dele por historiadores: as lojas Torgsin existiram, vendiam comida a quem entregasse ouro, prata ou moeda estrangeira (ver O dinheiro estrangeiro), e funcionaram durante a fome. A sátira de Bulgákov não inventa nada, apenas põe dois demônios na fila e deixa que o critério fale por si.

O segundo incêndio acontece na Casa Griboiêdov, sede fictícia da associação de escritores soviéticos (MASSOLIT), onde a dupla se apresenta ao restaurante usando os nomes de dois críticos literários russos reais do século XIX, Panáev e Skabitchévski, cada um assinando o sobrenome do outro no livro de identificação.

Na porta, a cidadã do livro de registro pede a identidade de escritor da dupla, e Korôviev inverte o critério da casa. Não são as identidades que definem um escritor, mas aquilo que ele escreve!

O gerente do restaurante, Artchibald Artchibáldovitch, reconhece os dois pelo que ouvira sobre o "caso do xadrez e do gato" e os trata com uma cortesia suspeita, prevendo que o almoço será farto mas curto. É o que acontece: policiais armados irrompem na varanda, a dupla desaparece no ar, e o fogo do fogareiro incendeia a casa inteira.

Para discutir Na porta da loja, o porteiro avisa: "Aqui a venda é só com dinheiro estrangeiro". Korôviev finge indignação diante do cliente de terno lilás que paga com moeda estrangeira, "e o nosso, o nosso?!". Contra quem aponta a sátira: o cliente, a loja ou a regra que separa os dois dos demais?

Para discutir Na Casa Griboiêdov, Korôviev protesta contra o pedido de documentos dizendo: "Não são as identidades que definem um escritor, mas aquilo que ele escreve!" Por que a frase soa tão certa e, dita por ele naquele lugar, tão irônica?