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Tema em O Mestre e Margarida

Arte

A arte e o artista: criação, poesia, música, o lugar da arte na vida.

O tema na obra

A literatura sob encomenda está no romance desde a primeira cena. No capítulo 1, Berlioz, editor de revista e presidente da Massolit, discute com o poeta Ivan Nikoláievitch Bezdômny o poema antirreligioso que ele escreveu por encomenda, e quer corrigi-lo: Jesus não devia aparecer com traços negativos, devia não ter existido. No capítulo 5, a Casa Griboiêdov reparte entre os sócios viagens, casas de veraneio e o melhor restaurante de Moscou, e o que se inveja nela é uma carteirinha; no 6, o poeta Riúkhin, diante da estátua de Púchkin, admite para si mesmo que não acredita numa palavra do que escreve.

Contra isso está o romance do O mestre, escrito sobre Pilatos num subsolo perto da Arbat, com as últimas palavras sabidas de antemão. O capítulo 13 conta o resto: a recusa do editor, os artigos de Ariman, Lavrôvitch e Latunski, a palavra "pilatismo", o medo, o manuscrito no forno. No capítulo 21, Margarida, já bruxa, destrói o apartamento de Latunski; no 24, Woland pede para ver o romance, Behemoth o tira intacto de debaixo de si, e Woland não aceita que ele tenha ardido. No 28, Korôviev é barrado na porta da Griboiêdov por não ter identidade de escritor, e a casa termina em chamas.

O fim do livro é o fim do romance do mestre. No capítulo 29, Mateus Levi diz a Woland que "ele" leu a obra do mestre; no 32, Woland deixa claro que quem leu é aquele que quer ver Pilatos, e que o refúgio do casal foi pedido por Yeshua Ha-Notzri. No capítulo 30, o mestre, que sabe o livro de cor, avisa a Ivan que não vai mais escrever sobre aquele herói. No 32, Woland lhe pede que termine o romance com uma frase, e a frase liberta Pôncio Pilatos; a última linha do capítulo retoma as palavras que o mestre, no capítulo 13, já sabia que fechariam o seu livro.

O livro opõe duas maneiras de ser escritor e as resolve de modo desigual. A Massolit tem carteirinha, restaurante e verbas, e não tem obra; o mestre tem a obra e perde todo o resto, até o nome. Korôviev diz isso em voz alta na porta da Griboiêdov, pouco antes de ela arder. A frase de Woland no capítulo 24 não promete que a arte vença no mundo que a queimou; promete que ela não depende desse mundo, e o romance confirma ao dar ao leitor certo, e não ao conselho editorial, a decisão sobre o destino do autor.

Onde aparece

Passagens

A confissão de Riúkhin, o retrato do poeta da Massolit.

A glória nunca chegará àquele que escreve poemas ruins. E por que são ruins? A verdade, ele disse a verdade! [...] Não acredito em uma palavra do que escrevo...
Primeira Parte, capítulo 6: Esquizofrenia, como foi dito

O mestre lembra a noite em que queimou o romance.

É muito difícil fazer isso, porque o papel escrito queima a contragosto.
Primeira Parte, capítulo 13: Surge o herói

A resposta de Woland ao autor que diz ter destruído a obra.

Desculpe, não posso acreditar [...], isso não é possível. Manuscritos não ardem.
Segunda Parte, capítulo 24: O resgate do mestre

O critério da Griboiêdov invertido na porta da própria casa.

Na porta, a cidadã do livro de registro pede a identidade de escritor da dupla, e Korôviev inverte o critério da casa. Não são as identidades que definem um escritor, mas aquilo que ele escreve!
Segunda Parte, capítulo 28: As últimas aventuras de Korôviev e Behemoth

O pedido que chega a Woland por causa de uma leitura.

Ele leu a obra do mestre [...] e pede que você leve o mestre consigo e lhe devolva a tranquilidade
Segunda Parte, capítulo 29: O destino do mestre e de Margarida é decidido