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Personagem

Charles Bovary

Quem é

Médico de província, marido de Emma Bovary e pai de Berthe Bovary. Entra no romance como "novo aluno", ridicularizado por um boné que o narrador descreve com a mesma atenção que depois dedica a Emma.

one of those poor things, in fine, whose dumb ugliness has depths of expression, like an imbecile's face, uma daquelas pobres criaturas, enfim, cuja feiura muda tem profundezas de expressão, como o rosto de um imbecil.
Parte I, capítulo 1
O ponto central dos três primeiros capítulos: Charles nunca decide nada por vontade própria. Ele obedece à mãe, depois à primeira esposa, depois, no capítulo seguinte, ao próprio desejo pela primeira vez na vida, sem perceber a diferença.
Parte I, capítulo 1

Trajetória

No capítulo 1 da Parte I cresce entre um pai que quer um filho espartano e uma mãe que sonha um filho ilustre, e o pai, por indiferença, vence até os doze anos do menino, quando a mãe impõe os estudos.

with cheek a man always gets on in the world, com descaramento um homem sempre se dá bem no mundo.
Parte I, capítulo 1

No capítulo 1 da Parte I reprova o primeiro exame de medicina, passa no segundo por repetição e casa com a viúva mais velha e rica que a mãe escolhe; quando ela morre, no capítulo 2 da Parte I, volta à fazenda dos Rouault e casa com Emma, no capítulo 4 da Parte I. Vê no quarto, no capítulo 5 da Parte I, o buquê da noiva morta e o leva ao sótão. Em Tostes, no capítulo 7 da Parte I, o narrador mede a distância entre ele e a mulher pela conversa.

Charles's conversation was commonplace as a street pavement, and everyone's ideas trooped through it in their everyday garb, without exciting emotion, laughter, or thought, a conversa de Charles era banal como uma calçada, e as ideias de todo mundo desfilavam por ela com suas roupas de todo dia, sem despertar emoção, riso ou pensamento.
Parte I, capítulo 7

No capítulo 8 da Parte I, na volta do baile em La Vaubyessard, acha na estrada A cigarreira verde. No fim do capítulo 9 da Parte I decide a mudança para Yonville como remédio contra um mal que não entende.

No capítulo 2 da Parte II só oferece frases práticas no jantar em que Emma e Léon constroem o seu repertório; no capítulo 3 da Parte II, Homais, que já fora chamado à presença do procurador régio por exercício ilegal da medicina, o cultiva como aliado para garantir o silêncio dele. No capítulo 7 da Parte II a mãe de Charles chega, diagnostica na nora falta de trabalho manual e corta a assinatura da biblioteca de Rouen.

No capítulo 11 da Parte II Homais o convence a operar o pé torto de Hippolyte, e o narrador eleva a incisão a uma escala de cirurgiões históricos.

Nem Ambroise Paré, aplicando pela primeira vez desde Celso, após quinze séculos de intervalo, a laqueação imediata de uma artéria, nem Dupuytren, quando estava para abrir um abcesso através de uma espessa camada de encéfalo, nem Gensoul, quando fez a primeira ablação do maxilar superior, sentiram provavelmente palpitar tanto o coração
Parte II, capítulo 11

Cinco dias depois começa a crise, a perna gangrena e Canivet amputa. Charles pede um beijo a Emma, ela explode, e o barómetro cai da parede. No capítulo 13 da Parte II, quando ela acorda perguntando pela carta de Rodolphe, ele só ouve delírio. Na ópera em Rouen, no capítulo 15 da Parte II, encontra Léon e insiste para que a mulher fique mais um dia.

No capítulo 2 da Parte III o pai dele morre, e Charles, incapaz de lidar com papelada, cede quando Emma, aconselhada por Lheureux, lhe traz o modelo de uma procuração geral para ela gerir e administrar os interesses do casal. No capítulo 5 da Parte III, quando a mãe descobre a procuração e a queima, ele toma pela primeira vez o partido da esposa contra a mãe e assina uma segunda procuração.

No capítulo 9 da Parte III cai num luto sem forma; no capítulo 11 da Parte III afunda nas dívidas que Emma deixou e responde com felicitações à participação do casamento de Léon.

Como a minha pobre mulher se teria sentido feliz!
Parte III, capítulo 11
Charles ainda não sabe que Léon foi amante de Emma quando escreve isto na carta de felicitação ao casamento dele.
Parte III, capítulo 11

Depois acha no sótão a carta de ruptura de Rodolphe Boulanger, que lê como prova de um amor platônico; só mais tarde, na escrivaninha de Emma, encontra as cartas de Léon e o retrato de Rodolphe.

Coragem, Emma! Tenha coragem! Não quero fazer a infelicidade da sua existência
Parte III, capítulo 11

Encontra Rodolphe por acaso e não o acusa.

Foi culpa da fatalidade!
Parte III, capítulo 11

No dia seguinte morre sozinho no jardim, segurando uma mecha do cabelo de Emma, e a filha o encontra.

E, acreditando que ele estivesse a brincar, empurrou-o levemente. Caiu no chão. Estava morto.
Parte III, capítulo 11

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Casamento, Lealdade e traição, Honra e reputação e Perda e luto. A leitura da nota dos capítulos 7 a 11 da Parte III que o põe no polo oposto ao do cálculo:

O eixo não é vício contra virtude. É cálculo contra compromisso. Rodolphe Boulanger e Léon calculam e recusam; Charles Bovary, medíocre mas fiel, não calcula e é destruído por isso.
Parte III, caps. 7-11 - O Triunfo de Homais

A frase com que Charles absolve Rodolphe no último encontro, "Foi culpa da fatalidade!", é quase a mesma que Rodolphe escreve, no capítulo 13 da Parte II, na própria carta de ruptura: "A culpa é da fatalidade!". A palavra que serviu a Rodolphe para se absolver diante de Emma volta pela boca do marido, que só conheceu a carta.

Relações

  • Emma Bovary: a mulher, cujos amantes ele só descobre depois da morte dela, pelas cartas.
  • Homais: o vizinho que o cultiva como aliado e o leva à operação.
  • Hippolyte: o paciente da operação que vira vexame público.
  • Rodolphe Boulanger: o autor da carta que ele acha e o homem que ele absolve.
  • Léon: o rapaz que ele reencontra na ópera e a quem felicita pelo casamento.
  • Lheureux: o credor cuja procuração ele aceita sem entender, e cujo cálculo o arruína depois da morte de Emma.
  • Berthe Bovary: a filha, que o encontra morto.
  • Símbolos ligados a ele: A cigarreira verde, que ele acha, e Yonville, para onde ele decide mudar.