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A clínica de Stravinski

O que é

O hospital psiquiátrico do doutor Stravinski, para onde Ivan Nikoláievitch Bezdômny é levado amarrado na noite da morte de Berlioz. As notas o chamam também de clínica psiquiátrica e de hospício. Em quartos vizinhos ficam Ivan, O mestre, que se internou por vontade própria, e Nikanor Ivânovitch Bossôi, sedado depois da prisão.

Onde aparece

No capítulo 5, Ivan aparece no restaurante da casa Griboiêdov gritando que o assassino de Berlioz está à solta, e a confusão termina com a polícia levando-o para o hospital psiquiátrico.

Ele apareceu! Vocês têm que apanhá-lo logo, do contrário ele causará desgraças indescritíveis!
Primeira Parte, capítulo 5: Aconteceu na Griboiêdov

No capítulo 6, o médico de plantão chega, resposta a resposta, ao diagnóstico que o consultor já tinha anunciado no capítulo 1.

Excitação motora e verbal... interpretações delirantes... um caso complexo, pelo visto... Esquizofrenia, deve-se supor. E, ainda por cima, o alcoolismo...
Primeira Parte, capítulo 6: Esquizofrenia, como foi dito

No capítulo 8, Stravinski não contesta a história de Ivan: percorre com ele o que fez na véspera, e Ivan concorda em se declarar normal, concordância que o mantém internado.

Aqui o ajudarão... está me ouvindo?... Aqui o ajudarão... O senhor se sentirá aliviado. É silencioso e tranquilo aqui... Aqui o ajudarão...
Primeira Parte, capítulo 8: O duelo entre o professor e o poeta
A concordância de Ivan vem pensada e dita com firmeza, sinal de quanto a lógica do doutor já tinha vencido antes da pergunta ser feita. Eu sou normal.
Primeira Parte, capítulo 8: O duelo entre o professor e o poeta

No capítulo 11, sozinho no quarto durante uma tempestade, Ivan desiste da denúncia e debate consigo mesmo, até que uma voz igual à do consultor resolve a disputa.

Um idiota!
Primeira Parte, capítulo 11: A duplicação de Ivan

No capítulo 13, o mestre entra pela varanda do quarto de Ivan, ouve o relato de Patriarchi Prudý e diz com quem Ivan se encontrou.

Ontem, em Patriarchi Prudý, o senhor se encontrou com Satanás.
Primeira Parte, capítulo 13: Surge o herói
Sou um mestre.
Primeira Parte, capítulo 13: Surge o herói
O capítulo termina exatamente onde o capítulo 1 tinha começado: Ivan finalmente ouve confirmado, por dentro do próprio hospício, aquilo que ninguém em Moscou quis acreditar quando ele mesmo tentou contar.
Primeira Parte, capítulo 13: Surge o herói

No capítulo 15, o grito de Nikanor Ivânovitch ao acordar do sonho se propaga pelos quartos vizinhos, entre eles o do mestre e o de Ivan. No capítulo 24, o mestre é trazido de volta do hospício a Margarida, ainda de roupão e gorro.

Não chore, Margot, não me faça sofrer. Estou muito doente.
Segunda Parte, capítulo 24: O resgate do mestre

No capítulo 30, o mestre volta uma última vez ao hospital para se despedir de Ivan, no quarto 117. No Epílogo, a investigação nunca descobre quem era o doente mental sequestrado da clínica sob o número 118, e Ivan, já professor, está curado, salvo o sintoma da lua cheia.

O que significa

A nota dos capítulos 30 a 32 e do Epílogo lê o fim de Ivan como o de quem aceitou ter enlouquecido e por isso guarda o que a explicação oficial não tocou.

O Epílogo repete, em escala cômica, o mesmo movimento do capítulo 1, a recusa racionalista de admitir o sobrenatural. Berlioz morre por não acreditar; a cidade inteira sobrevive não acreditando, trocando o susto por uma explicação de hipnose coletiva. O romance não corrige essa recusa, apenas mostra o preço dela: quem não acredita fica com a versão mais pobre da história, e só Ivan, que aceitou ter enlouquecido, guarda por dentro o que a explicação oficial jamais tocou.
Segunda Parte, caps. 30-32 e epílogo - Perdão e refúgio eterno

Os três internos que o romance acompanha chegaram à clínica pelo contato com a comitiva de Woland ou com o romance sobre Pôncio Pilatos: Ivan pela perseguição ao consultor, Nikanor Ivânovitch pelos dólares de Korôviev, o mestre pelo medo que veio depois da recusa e da queima do livro. A clínica, que a cidade usa para isolar quem conta o que viu, é o lugar onde o relato de um deles é ouvido por outro como verdadeiro.

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