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Personagem

Korôviev

Quem é

Homem alto de pincenê quebrado, da comitiva de Woland, que se apresenta como intérprete dele e, no Teatro de Variedades, também como Fagot. É ele quem negocia o apartamento 50 (ver O apartamento 50) com Nikanor Ivânovitch e quem recebe Margarida para o baile, e no capítulo 32 a lua (ver A lua) revela por baixo dele um cavaleiro sombrio que paga por "uma brincadeira infeliz" com um trocadilho sobre luz e trevas.

O que significa ser representante oficial ou não oficial? Tudo isso depende de que ponto de vista você olha para o objeto. Tudo isso, Nikanor Ivânovitch, é relativo e instável.
Primeira Parte, capítulo 9: Truques de Korôviev

Trajetória

No capítulo 4 aparece, junto ao estrangeiro, um sujeito de roupa xadrez e pincenê rachado que se apresenta como ex-regente de coral, ainda sem nome.

No capítulo 7 aparece no espelho de Stiopa Likhodêiev; no capítulo 9 recebe Nikanor Ivânovitch sentado à mesa do finado Berlioz, aluga o apartamento 50 por uma semana, põe-lhe na mão um maço extra de rublos e depois o denuncia por telefone, passando-se por um vizinho: o maço vira dólares (ver O dinheiro estrangeiro) e Nikanor é preso. No capítulo 12, na sessão de magia negra, está no palco ao lado de Woland e Behemoth.

No capítulo 17 ele mesmo, de calça xadrez e pincenê quebrado, faz-se de regente e deixa os funcionários de uma filial administrativa cantando em coro sem conseguir parar, e no capítulo 18 é ele quem recebe Poplavski no apartamento 50 com um choro teatral.

No capítulo 22 recebe Margarida com uma lamparina, explica a quinta dimensão que faz caber um salão de baile no apartamento e a condição de que a dona do baile se chame Margarida. No capítulo 24, depois do baile, joga na lareira o prontuário do mestre, decretando que quem não tem documento não existe, e apaga Aloísi Mogarytch do livro de registro residencial.

No capítulo 28 reaparece com Behemoth no centro de Moscou: na loja Torgsin discursa em defesa do "pobre faminto", e na Griboiêdov a dupla assina com os nomes trocados de dois críticos do século XIX, Panáev e Skabitchévski. No capítulo 29 volta ao terraço com Behemoth, que traz um cálice, um avental chamuscado e um salmão.

O discurso de Korôviev não defende o furto, expõe o critério de entrada, e o alvo não é o vendedor: é o cliente que pode pagar. está trajando um terno social lilás, está inchado de tanto salmão, mas tem dinheiro estrangeiro, e o nosso, o nosso?!
Segunda Parte, capítulo 28: As últimas aventuras de Korôviev e Behemoth

No capítulo 31 disputa com Behemoth quem assobia mais forte nas colinas dos Pardais, e o assobio dele arranca um carvalho pela raiz e racha a terra até o rio. No Epílogo, a investigação de Moscou atribui tudo a uma quadrilha de hipnotizadores, e as suspeitas pesam sobre ele.

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Aparência e realidade e Dinheiro e riqueza. A leitura do capítulo 28 sobre a cena da Torgsin:

É a cena mais diretamente documental do romance, e por isso a mais citada fora dele por historiadores: as lojas Torgsin existiram, vendiam comida a quem entregasse ouro, prata ou moeda estrangeira (ver O dinheiro estrangeiro), e funcionaram durante a fome. A sátira de Bulgákov não inventa nada, apenas põe dois demônios na fila e deixa que o critério fale por si.
Segunda Parte, capítulo 28: As últimas aventuras de Korôviev e Behemoth

Korôviev trabalha com papel: o contrato e o recibo de Nikanor Ivânovitch, o maço que vira dólares, o livro de identificação da Griboiêdov assinado com nomes trocados, o prontuário do mestre, que ele joga no fogo junto com a frase de que quem não tem documento não existe, e o registro de moradia de Mogarytch. A investigação do Epílogo, feita de depoimentos e registros, termina pondo justamente sobre ele as suspeitas.

Relações