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Tema em O Mestre e Margarida

Bem e mal

O eixo moral em si: a natureza do mal, a luta entre bem e mal, a moralidade e a ausência dela.

O tema na obra

A tese moral do romance é de Yeshua Ha-Notzri. No capítulo 2, perguntado por que chama todos de boas pessoas, ele diz a Pilatos que não existem pessoas maldosas no mundo, e chama de infeliz o centurião que acabara de chicoteá-lo. A resposta oposta vem de Woland no capítulo 29, a Mateus Levi, que o chama de espírito do mal: sem a maldade a bondade não teria o que fazer, como a terra não seria terra sem as sombras.

Em Moscou, Woland e a comitiva não criam o mal, expõem o que já estava ali. No capítulo 9, Nikanor Ivânovitch Bossôi aceita o maço de Korôviev e é preso pelos dólares em que ele se transforma; no 12, o público se atropela pelas notas que caem da cúpula, e Woland conclui que são pessoas comuns, corrompidas pelo problema habitacional; no 15, no sonho de Nikanor, quase ninguém entrega os dólares escondidos, e o único voluntário ainda calava os da tia; no 18, o tio de Berlioz vem de Kíev atrás do apartamento do sobrinho morto, e o gerente Sókov, que acumula economias, ouve que vai morrer em nove meses. No capítulo 28, a dupla de Woland desmoraliza a loja Torgsin, onde só se compra com moeda estrangeira.

O livro também mostra o mal que não se reduz a mesquinharia. No capítulo 16, Levi amaldiçoa um Deus que deixa Yeshua agonizar na cruz; no 22, Woland mostra a Margarida, num globo, uma guerra em que morre uma criança, e apresenta Abaddon, imparcial entre os dois lados; no 23, o baile reúne envenenadoras, assassinos e traidores, e o barão Meigel, espião, é morto ali mesmo. No capítulo 26, Judas de Kerioth é atraído e esfaqueado pela mesma lógica com que traiu. No 21, a mesma Margarida que destrói o apartamento de Latunski para diante de um menino assustado e o consola.

O romance deixa de pé as duas frases e não escolhe entre elas. A de Yeshua sobrevive a Moscou: ninguém ali é maldoso, todos são mesquinhos, e Woland os trata como tais. A de Woland sobrevive a Yerushalaim, porque é a covardia de um homem que não se julga mau que manda Yeshua para a cruz. O que o livro recusa é a terceira posição, a de Levi no Gólgota, que exige do céu uma separação limpa entre bem e mal e acaba, no capítulo 29, levando ao próprio diabo um pedido de Yeshua.

Onde aparece

Passagens

A tese de Yeshua, dita a quem vai condená-lo.

Perguntado por que chama todo mundo de "boas pessoas", inclusive o centurião que acabara de chicoteá-lo, Yeshua responde com a frase que o romance inteiro vai pôr à prova. Não existem pessoas maldosas no mundo.
Primeira Parte, capítulo 2: Pôncio Pilatos

O veredito de Woland sobre a plateia de Moscou.

São pessoas como outras quaisquer. Gostam de dinheiro, mas sempre foi assim... A humanidade gosta de dinheiro, independentemente do que seja feito: de couro, de papel, de bronze ou ouro. Bom, são levianas... fazer o quê... a misericórdia às vezes bate em seus corações... são pessoas comuns... em geral fazem lembrar as pessoas de antigamente... só que o problema habitacional as corrompeu...
Primeira Parte, capítulo 12: Magia negra e sua revelação

A revolta de Levi no Gólgota.

Tu és um deus negro! Eu te amaldiçoo, deus dos bandidos, protetor e alma deles!
Primeira Parte, capítulo 16: A execução

Abaddon, o mal sem lado.

Ele é imparcial e tende a ter compaixão pelos dois lados. Como consequência disso, os resultados dos dois lados são iguais.
Segunda Parte, capítulo 22: À luz de velas

A resposta de Woland ao discípulo de Yeshua.

o que faria a sua bondade se não existisse a maldade, como seria a terra se dela sumissem as sombras
Segunda Parte, capítulo 29: O destino do mestre e de Margarida é decidido