Clavis Libri

Personagem

Homais

Quem é

O farmacêutico de Yonville, vizinho dos Bovary, já chamado uma vez à presença do procurador régio, em Rouen, por exercício ilegal da medicina, que escreve artigos para o Fanal de Rouen. A farmácia dele, e não a igreja do outro lado da rua, é o que mais atrai a vista na vila, com o nome dele em letras douradas no letreiro e repetido sobre a porta do laboratório.

E o letreiro, que ocupa toda a largura da loja, diz em letras douradas: Homais, farmacêutico.
Parte II, capítulo 1

Trajetória

No capítulo 1 da Parte II é ele quem primeiro fala de religião, acusando de hipocrisia o Abade Bournisien assim que este sai da estalagem. No capítulo 3 da Parte II cultiva Charles Bovary como aliado, para garantir silêncio caso volte a ultrapassar os limites da lei; no capítulo 4 da Parte II, recebe nos serões de casa Emma Bovary e Léon e repete todo dia o mesmo "boa noite a todos". No comício do capítulo 8 da Parte II chama de "fanatismo" o gesto de Catherine Leroux de dar a medalha ao pároco.

No capítulo 11 da Parte II convence Charles a operar o pé torto de Hippolyte pelo artigo no jornal, e convence o próprio Hippolyte pela vaidade.

Não és um homem, caramba? Que seria então se tivesses de servir no exército, de combater pela pátria?
Parte II, capítulo 11

Na noite da operação lê em voz alta o artigo que vai mandar ao jornal.

Apesar dos preconceitos que cobrem ainda uma parte da face da Europa como uma rede, a luz começa contudo a penetrar nos nossos campos.
Parte II, capítulo 11

A perna gangrena e é amputada, e a nota dos capítulos 9 a 15 da Parte II registra que ele sai do episódio sem dano. Na convalescença de Emma, no capítulo 14 da Parte II, é ele quem sugere a ida ao teatro em Rouen, onde ela reencontra Léon.

No capítulo 2 da Parte III, ao dar a notícia da morte do pai de Charles, grita antes sobre arsênico e sobre um livro proibido que Justin escondia. No capítulo 6 da Parte III aceita o convite que Léon, por delicadeza, lhe faz em troca dos jantares em casa dele, vai a Rouen e o arrasta por horas enquanto Emma espera.

No capítulo 8 da Parte III Emma come o arsênico do frasco azul no laboratório dele. No capítulo 9 da Parte III, logo depois da morte dela, volta para casa para escrever cartas e um artigo para o Fanal; mais tarde, diante do cadáver, diz não ter medo, porque "fazíamos ponche no anfiteatro das dissecações". No velório discute com Bournisien.

Leia Voltaire! [...] Leia Holbach, leia a Enciclopédia!
Parte III, capítulo 9
A cena é o retrato mais econômico do romance sobre o que Homais e Bournisien têm em comum: nenhum dos dois está falando com o outro, os dois estão citando para vencer.
Parte III, capítulo 9

No enterro, no capítulo 10 da Parte III, lamenta não ter preparado "algumas palavras". No capítulo 11 da Parte III tenta compor o epitáfio a partir de "Sta viator", não completa a frase clássica e fica com "Amabilem conjugem calcas". Faz da cegueira do mendigo campanha pessoal de vingança. A última linha do livro é sobre ele.

Acaba de receber a Legião de Honra.
Parte III, capítulo 11

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Ciência e técnica, Honra e reputação, Religião e Ambição. A leitura da nota dos capítulos 7 a 11 da Parte III sobre o que o desfecho diz através dele:

O romance não termina com uma condenação da paixão de Emma. Termina com uma condenação mais ampla e mais fria: a de um mundo em que a mediocridade prudente (Homais) sobrevive e prospera, e o amor, tanto o ilegítimo (Rodolphe, Léon) quanto o legítimo (Charles), é descartado ou destruído, cada um a seu modo.
Parte III, caps. 7-11 - O Triunfo de Homais

O percurso de Homais no romance vai de um texto sobre si a outro: o nome em letras douradas no letreiro da farmácia, quando a família Bovary chega a Yonville, o artigo que ele mesmo escreve e lê em voz alta na noite da operação, e a Legião de Honra registrada na última linha.

Relações

  • Charles Bovary: o médico que ele cultiva como aliado e leva à operação.
  • Emma Bovary: a vizinha, a quem sugere a ópera e que morre com o arsênico do laboratório dele.
  • Léon: o frequentador dos serões, a quem arrasta em Rouen.
  • Abade Bournisien: o adversário de religião, da estalagem ao velório.
  • Hippolyte: o paciente da operação que ele promove.
  • Símbolo ligado a ele: Yonville.