Quem é
O primeiro amante de Emma Bovary, a quem ela visita de madrugada em La Huchette. Entra em cena trazendo a Charles um camponês que quer ser sangrado porque "sentia formigueiros pelo corpo todo", e no caminho de volta decide a sedução antes de trocar uma frase a sós com ela.
Há-de ser mínha!
Trajetória
No capítulo 8 da Parte II faz a corte a Emma durante o comício agrícola, entre o discurso do conselheiro Lieuvain e o anúncio dos prêmios, e dispensa Lheureux, que tenta entrar na conversa.
Ah!, mas é que existem duas [...] a mesquinha, a convencional, a dos homens, a que varia constantemente e berra tão alto que se agita no chão, terra a terra [...] Mas a outra, a eterna, essa circunda tudo e está acima de tudo, como a paisagem que nos rodeia e o céu que nos ilumina.
Rodolphe apertava-Lhe a mão e sentia-a muito quente e trémula, como uma rola cativa que quer retomar novamente o voo.
No capítulo 9 da Parte II fica seis semanas sem voltar, esperando que a ausência trabalhe a seu favor.
Ora, se ela me amou desde o primeiro dia, pela impaciência de me voltar a ver, deve amar-me ainda mais. Portanto, continuemos!
Na visita em que volta, ainda em casa dela, diz a frase depois da qual o texto registra que era a primeira vez que Emma ouvia alguém dizer-lhe estas coisas; a rendição vem depois, na cavalgada no bosque.
Somos sempre arrastados pelo que é belo, encantador, adorável!
No capítulo 12 da Parte II, com o tempo, deixa de distinguir Emma das outras mulheres que teve. Adia a fuga combinada semana a semana até ela ficar marcada para 4 de setembro, e decide sozinho não ir. No capítulo 13 da Parte II escreve a carta de ruptura testando frases pelo efeito e pinga água sobre a tinta para simular uma lágrima.
A culpa é da fatalidade!
Depois da carta, Emma desmaia ao ver o tílburi azul dele passando na praça.
No capítulo 8 da Parte III Emma vai a La Huchette disposta a pedir a ele o que recusou a Guillaumin. Ele a recebe com afeto encenado e recusa com calma, e o narrador comenta o pedido.
Não os tenho, minha querida senhora.
porque um pedido pecuniário é a mais fria e devastadora de todas as tempestades que podem desabar sobre o amor.
No capítulo 11 da Parte III, depois da morte de Emma, Charles acha a carta de ruptura caída no chão do sótão e, tempos depois, encontra Rodolphe por acaso e o absolve.
Foi culpa da fatalidade!
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ele são Desejo, Linguagem e narração, Verdade e mentira e Lealdade e traição. o guia da obra registra que o vocabulário romântico de Léon reaparece quase idêntico na boca dele, e a nota do capítulo 7 da Parte III lê a recusa dele como espelho invertido da recusa de Emma a Guillaumin:
A frase de recusa a Guillaumin é o espelho exato do que Rodolphe dirá poucas páginas depois, mas ao contrário: ela recusa vender o corpo, ele recusará emprestar o dinheiro.
A carta de ruptura é lida duas vezes no romance, por duas pessoas: Emma a recebe e sobe ao sótão, à beira da água-furtada; Charles a acha depois da morte dela e a lê como prova de um amor platônico. O mesmo texto, escrito testando frases pelo efeito, produz nos dois leitores efeitos opostos.
Relações
- Emma Bovary: a amante da Parte II, a quem recusa o dinheiro no capítulo 8 da Parte III.
- Léon: o outro amante, que usa o mesmo vocabulário.
- Charles Bovary: o marido, que lê a carta dele e o absolve.
- Lheureux: dispensado por ele no comício; fornece o pingalim que Emma lhe dá.
- Guillaumin: o tabelião do capítulo 7 da Parte III; a recusa de Emma a ele é lida como espelho invertido da recusa de Rodolphe.