O que é
O castelo do Marquês de Andervilliers e o baile a que Emma Bovary e Charles Bovary vão no capítulo 8 da Parte I, convidados por um acaso quase cômico: cerejas do jardim de Tostes. A nota do capítulo 8 da Parte I o trata como o que muda o eixo do romance, e a nota dos capítulos 1 a 9 da Parte I resume: o baile não seduz Emma, envenena.
Onde aparece
No capítulo 8 da Parte I o que pesa não é o Visconde, que mal fala com Emma até a valsa final, mas o excesso material e social do castelo: os retratos com séculos de linhagem, o champanhe gelado que a faz estremecer inteira, a valsa que aprende ali mesmo e o duque de Laverdière à mesa.
He had lived at court and slept in the bed of queens!, ele tinha vivido na corte e dormido na cama de rainhas!
Na volta, Charles acha na estrada A cigarreira verde. Já em casa, no fim do mesmo capítulo, o baile deixa de ser lembrança e vira uma fenda na vida de Emma, aberta num tédio que o capítulo 7 da Parte I já descrevia; no capítulo 9 da Parte I, vira doença.
Her journey to Vaubyessard had made a hole in her life, like one of those great crevices that a storm will sometimes make in one night in mountains, sua viagem a Vaubyessard (ver La Vaubyessard) tinha aberto um buraco em sua vida, como uma daquelas grandes fendas que uma tempestade às vezes abre numa única noite nas montanhas.
her life was cold as a garret whose dormer window looks on the north, and ennui, the silent spider, was weaving its web in the darkness in every corner of her heart, sua vida era fria como um sótão cuja clarabóia dá para o norte, e o tédio, aranha silenciosa, tecia sua teia na escuridão de cada canto do seu coração.
No capítulo 3 da Parte II o nome de Berthe Bovary vem de uma jovem que Emma ouviu a marquesa chamar assim em Vaubyessard. No capítulo 5 da Parte III o padrão do baile, excitação seguida de tédio maior, reaparece em escala semanal nas quintas-feiras de Rouen.
tornava-se irritável, gulosa e voluptuosa
O que significa
A nota dos capítulos 1 a 9 da Parte I lê o baile pelos dois lados. A favor de Emma, a distinção de classe que a cena mostra, marcada pela pele e pelo cheiro dos ricos, confirma que a fome dela tem objeto real. Contra a leitura da sociedade provinciana como causa, o baile deveria satisfazer, porque dá a Emma exatamente o mundo que faltava, e faz o oposto: aumenta a fome. Daí a tese de que o problema está na estrutura do desejo dela. A mesma nota registra que a Parte I planta aqui o padrão de excitação seguida de tédio maior, que se repete em cada caso amoroso. o guia da obra o lê pela caverna de Platão:
O baile não tira Emma da caverna. É a fogueira tomada pelo Sol, uma sombra mais luminosa, e por isso envenena em vez de libertar. Toda vez que a realidade dói, ela faz o gesto do prisioneiro:
Do castelo Emma leva duas coisas que o romance acompanha depois: a cigarreira, achada na estrada de volta, e o nome da filha, ouvido de uma marquesa. A primeira fica com ela; a segunda passa a Berthe, cujo último registro é uma fábrica de fiação.
Relações
- Temas-padrão: Desejo, Sonho e fantasia, Classe social.
- Personagens: Emma Bovary, Charles Bovary, Berthe Bovary.
- Símbolos vizinhos: A cigarreira verde, o objeto que sai do baile, e Yonville, para onde a família se muda depois do tédio de Tostes.