Clavis Libri

Personagem

Yeshua Ha-Notzri

Quem é

O prisioneiro levado a Pôncio Pilatos acusado de incitar o povo a destruir o templo de Yerushalaim, que explica não ter pregado destruição, e sim que o templo da velha crença ruirá e um templo da verdade se erguerá no lugar. Vive no plano de Yerushalaim, que é o romance escrito pelo mestre e, segundo Woland, o que Woland presenciou. a leitura da obra põe na boca dele a tese moral do livro: diz a Pilatos que não existem pessoas maldosas, nem mesmo Marcos Mata-ratos, que acabara de espancá-lo.

qualquer poder é uma violência contra as pessoas e que chegará o tempo em que não haverá mais o poder [...] O homem passará para o reino da verdade e da justiça, onde não haverá necessidade de poder algum
Primeira Parte, capítulo 2: Pôncio Pilatos

Trajetória

No capítulo 2 chama Pilatos de "bom homem", e Pilatos manda o centurião Marcos ensiná-lo a dizer Hegemon, com um golpe de chicote que o derruba. Conta que Judas de Kerioth o recebeu em casa e lhe perguntou sobre o poder do Estado, diagnostica a dor de cabeça do procurador e a falta de afeto a qualquer um que não seja o cão Banga, e responde com serenidade à ameaça de morte. Caifás escolhe três vezes soltar Bar-Raban, e Yeshua é condenado com Dismas e Gestas.

A verdade, antes de tudo, é que a sua cabeça está doendo, e dói tão forte que você covardemente pensa na morte
Primeira Parte, capítulo 2: Pôncio Pilatos
Você há de convir que, decerto, só poderá cortar o fio aquele que o pendurou, não é mesmo?
Primeira Parte, capítulo 2: Pôncio Pilatos

No capítulo 16 morre na primeira cruz do Gólgota, ao lado de Dismas e Gestas, com Mateus Levi sentado numa pedra, perto delas. A última palavra que diz não é dirigida a Deus.

O mais resignado de todos era Yeshua.
Primeira Parte, capítulo 16: A execução
Hegemon...
Primeira Parte, capítulo 16: A execução

No capítulo 25 Afrânio repete a Pilatos o que o condenado disse antes de morrer, e no capítulo 26 Levi tenta esconder o corpo numa gruta.

Disse somente que entre todas as fraquezas humanas a que ele considera pior é a covardia.
Segunda Parte, capítulo 25: Como o procurador tentou salvar Judas de Kerioth

No capítulo 32 é quem espera Pilatos no fim do caminho lunar, depois de quase dois mil anos, e é a ele que Woland atribui o pedido do refúgio (ver A casa do refúgio) para o mestre e Margarida. No Epílogo, Ivan Nikoláievitch Bezdômny sonha com os dois subindo juntos o caminho lunar.

Está livre! Está livre! Ele está esperando por você!
Segunda Parte, capítulo 32: Perdão e refúgio eterno

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Verdade e mentira, Poder e Coragem e heroísmo.

Uma é "Hegemon", o título que Pilatos mandou Marcos lhe ensinar a chicote; a outra é a frase sobre a covardia, que chega ao procurador pelo relatório de Afrânio, de segunda mão, e que no capítulo 32 Woland repete para declarar sem culpa o cachorro de Pilatos.

Relações

  • Pôncio Pilatos: o juiz que formula a absolvição e não a executa, e que o encontra no fim do caminho lunar.
  • Judas de Kerioth: quem o recebeu em casa e o perguntou sobre o poder.
  • Mateus Levi: quem fica perto da cruz e leva o corpo.
  • Afrânio: quem relata a Pilatos a frase sobre a covardia.
  • Woland: quem diz ter presenciado o interrogatório e retoma a frase dele no fim.
  • O mestre: o autor do romance em que ele vive.