Quem é
Margarida Nikoláievna, trinta anos, casada com um marido rico e bom a quem não ama, que vive há meses de luto pelo mestre, desaparecido depois de queimar o romance. No capítulo 13 ela aparece o tempo todo sem nome, só como "ela"; a partir do capítulo 19 é quem conduz a ação, e é por ela que as duas tramas do livro se encontram.
Tinha que ou esquecê-lo, ou morrer. Pois não podia mais levar a vida assim.
Trajetória
No capítulo 13, pela voz do mestre, é a desconhecida das flores amarelas, que passa a visitá-lo todos os dias, lê os manuscritos, começa a chamá-lo de mestre e chega a tempo de salvar do fogo só um maço de folhas queimadas.
Ela levava nas mãos flores abomináveis, de um amarelo inquietante.
Vou salvá-lo, vou salvá-lo. O que significa tudo isso?
No capítulo 19 aceita o convite de Azazello sem saber a quem se entrega; no capítulo 20 passa o creme, rejuvenesce, escreve o bilhete ao marido e sai voando. No capítulo 21 destrói o apartamento de Latunski com um martelo e para diante de um menino assustado no escuro. No capítulo 22 é escolhida entre cento e vinte e uma Margaridas de Moscou e no capítulo 23 preside o baile da lua (ver A lua) cheia; no capítulo 24, na hora da paga, pede primeiro por Frida; só no segundo pedido, concedido de graça, pede o mestre.
Perdoe-me e me esqueça o mais rápido possível. Estou te abandonando para a eternidade. Não me procure, é inútil. Tornei-me uma bruxa por causa das desgraças e das tristezas que me atingiram. Está na minha hora. Adeus.
Latunski! [...] Latunski! Foi ele que... Foi ele que acabou com o mestre!
A cena do menino é o único momento do voo em que Margarida usa o poder recém-ganho para consolar, não para destruir ou seduzir; o romance a coloca logo depois da vingança contra Latunski, como se quisesse mostrar as duas faces da mesma força antes do baile.
Quero que parem de estender à Frida o lenço com o qual ela sufocou seu próprio bebê.
No capítulo 29, no terraço, Mateus Levi pede que ela, que amou e sofreu pelo mestre, seja levada junto com ele.
No capítulo 30 morre com o mestre depois do brinde com o Falerno de Azazello; no capítulo 31 olha para trás nas colinas dos Pardais e já não vê Moscou; no capítulo 32 pede clemência para Pilatos e guia o mestre até a casa eterna pela ponte de pedra. No Epílogo aparece com o mestre nos sonhos de Ivan e o beija na testa.
Ouça o sossego [...] ouça e deleite-se com aquilo que não lhe deram em vida, o silêncio.
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ela são Amor, Compaixão e caridade e Sacrifício. A fala do narrador ao leitor no capítulo XIX, recurso que, segundo a nota do capítulo 19, é raro no romance:
Quem lhe disse que não existe no mundo o verdadeiro, o fiel, o eterno amor? Pois que cortem a língua desse mentiroso infame!
Os dois pedidos que decidem o lugar de Margarida no livro são por quem ela mal conhece: por Frida, que viu uma única vez no baile, e por Pilatos, a quem nunca viu, no capítulo 32. Para si, quando Woland lhe pergunta "O que deseja para si?", pede o mestre de volta; e no resto da noite ainda suplica por Latunski e intercede por Natacha. O "nunca peça nada" de Woland vem logo antes do pedido por Frida, quando ela acaba de recusar qualquer paga.
Relações
- O mestre: o amado, que ela chama de mestre e vai buscar ao custo de virar bruxa.
- Woland: quem a recebe como rainha do baile e lhe concede os pedidos.
- Azazello: quem lhe traz o convite e o creme, e depois o Falerno.
- Korôviev: quem a recebe no apartamento 50 (ver O apartamento 50) e lhe explica a condição do baile.
- Frida: a convidada do baile por quem ela faz o primeiro pedido.
- Latunski: o crítico cujo apartamento ela destrói.
- Hella e Behemoth: o restante da comitiva que ela conhece no apartamento 50.
- Pôncio Pilatos: o homem da poltrona de pedra, para quem ela pede clemência.
- Ivan Nikoláievitch Bezdômny: a quem ela aparece nos sonhos do Epílogo.