Quem é
O tabelião de Yonville, patrão de Léon, que é escriturário no cartório dele, e o homem a quem Emma Bovary pede dinheiro depois da penhora, no capítulo 7 da Parte III. O texto o descreve sempre absorvido no trabalho, de óculos de aros de ouro e suíças ruivas, sem entender nada das delicadezas do espírito.
Trajetória
Aparece primeiro no capítulo 2 da Parte II como o tabelião de quem Léon é escriturário, e no fim do capítulo 3 da Parte II como o patrão de quem Léon se queixa, sozinho no Pasto.
Lamentava-se de viver naquela aldeia, tendo Homais como amigo e Guillaumin como patrão.
No capítulo 6 da Parte II é na carruagem dele que Léon parte para Rouen.
As procurações passam por ele. No capítulo 2 da Parte III, onde Emma leva a Charles o modelo da primeira procuração, quando ele pergunta onde ela o arranjou, ela responde "Foi no Guillaumin" e acrescenta, logo em seguida, que não confia nele. Depois que a sogra queima essa procuração, a segunda é feita no cartório dele, no capítulo 5 da Parte III, e o tabelião dá à fraqueza de Charles uma desculpa lisonjeira.
- Compreendo perfeitamente - disse o notário. - Um homem de ciência não pode embaraçar-se com pormenores da vida prática.
No capítulo 7 da Parte III, entre a promessa falhada de Léon e a recusa de Rodolphe Boulanger, é Félicité quem sugere a Emma procurá-lo. O narrador avisa que ele já conhecia a dívida por dentro, por estar ligado a Lheureux.
O doutor Guillaumin já a conhecia, por estar secretamente ligado ao mercador de tecidos, em casa de quem encontrava sempre capitais para os empréstimos hipotecários que o encarregavam de contratar.
Recebe Emma ao almoço, lamenta não ter administrado o dinheiro dela em especulações, pega-lhe a mão e, quando ela insiste no dinheiro, cede "à irrupção de um desejo demasiado forte": diz que sim, arrasta-se de joelhos até ela e agarra-a pela cintura. Ela recusa.
O senhor aproveita-se impunemente da minha aflição! Eu sou para lastimar, mas não para vender!
Sozinho, consola-se pensando que os chinelos que calça foram um presente de amor e que uma aventura daquelas o arrastaria longe demais. Emma, depois de passar ainda pela casa de Binet, vai a La Huchette pedir a Rodolphe o dinheiro que não aceitou de Guillaumin.
Temas que encarna
O tema-padrão que passa por ele é Dinheiro e riqueza. A leitura do capítulo 7 da Parte III que liga a cena dele à de Rodolphe:
A frase de recusa a Guillaumin é o espelho exato do que Rodolphe dirá poucas páginas depois, mas ao contrário: ela recusa vender o corpo, ele recusará emprestar o dinheiro.
Relações
- Emma Bovary: a quem ele assedia e por quem é recusado.
- Léon: o escriturário do cartório dele no capítulo 2 da Parte II; no capítulo 7 da Parte III, a promessa falhada que vem antes da visita de Emma.
- Charles Bovary: o marido cuja segunda procuração é feita no cartório dele.
- Lheureux: o comerciante a quem está secretamente ligado nos empréstimos hipotecários.
- Rodolphe Boulanger: a recusa seguinte; a nota do capítulo 7 da Parte III lê a recusa de Emma a Guillaumin como espelho invertido da recusa de Rodolphe a ela.