Quem é
O comerciante de tecidos que vende a crédito a Emma Bovary e cobra a dívida que a leva à penhora. o guia da obra o chama de personagem que decide o desfecho e que nunca discute moral. no guia ele é apresentado como prestativo e paciente.
Trajetória
No capítulo 5 da Parte II aparece pela primeira vez como personagem próprio, não só como companheiro de viagem: entra com a caixa verde, exibe echarpes e colares e, quando Emma recusa comprar, não insiste.
- Uma miséria - respondeu -, uma miséria, mas não há pressa, quando desejar, não somos judeus!
No comício do capítulo 8 da Parte II acompanha Rodolphe Boulanger e Emma no passeio, tenta entrar na conversa e é despachado por Rodolphe.
No capítulo 12 da Parte II encarrega-se da encomenda da perna de pau que Emma oferece a Hippolyte, paga por Charles, e traz de Rouen o pingalim que ela quer dar a Rodolphe; no dia seguinte apresenta a fatura, e Emma acaba pagando com o dinheiro que Derozerays mandara a Charles.
No capítulo 2 da Parte III aparece em casa durante o luto pelo pai de Charles Bovary e sugere a Emma que o marido lhe passe uma procuração. Nos capítulos 4 e 5 da Parte III vende a ela cortinas e tapete, intermedeia a venda de um terreno em Barneville e a faz assinar letras de câmbio, trocando parte da dívida por dinheiro vivo que paga as quintas-feiras em Rouen. No capítulo 6 da Parte III chega a intimação de oito mil francos em vinte e quatro horas, e ele fecha a porta às súplicas de Emma.
Lheureux responde às súplicas de Emma fechando a porta e dizendo:Não tenho mais que me ralar com isso!
A escalada tem quatro degraus, em quatro capítulos: a procuração no capítulo 2, as cortinas e o tapete a crédito no capítulo 4, o terreno de Barneville e as letras de câmbio no capítulo 5, a intimação de oito mil francos no capítulo 6, crescendo no mesmo ritmo em que o tédio do adultério avança.
No capítulo 7 da Parte III o oficial de diligências Hareng chega para inventariar a casa, e a nota dos capítulos 7 a 11 da Parte III conta o cálculo de Lheureux como o primeiro dos cálculos alheios que arruínam Charles depois da morte de Emma.
e a sua vida, até aos recantos mais íntimos, foi, como um cadáver a que se faz a autópsia, exposta de par em par aos olhares daqueles três homens.
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ele são Dinheiro e riqueza e Desejo. A nota dos capítulos 9 a 15 da Parte II, na seção "O crédito como sedução paralela", lê o crédito dele como a mesma promessa do discurso de Rodolphe: nada custa agora, tudo se resolve depois, com juros.
Lheureux é quem financia os dois adultérios de Emma de ponta a ponta: está no comício em que a sedução de Rodolphe começa, vende o pingalim que ela dá a Rodolphe, e são as letras de câmbio dele que sustentam a vida de Emma no tempo das quintas-feiras com Léon em Rouen, quando ela completa quase sempre a despesa que Léon não consegue pagar sozinho.
Relações
- Emma Bovary: a cliente e devedora.
- Charles Bovary: o marido que cede à procuração sem entender o que cede e herda as dívidas.
- Rodolphe Boulanger: quem o dispensa no comício, e para quem Emma compra o chicote.
- Léon: o amante cujos encontros o dinheiro dele financia.
- Hippolyte: o destinatário da perna de pau cuja encomenda passa por ele.