Na cena do fiacre, no capítulo 1 da Parte III, o romance dá a entender o começo do adultério de Emma com Léon: os dois passam horas dentro de um carro de aluguel com os estores descidos, rodando por Rouen e arredores sem destino, e o narrador não mostra o que se passa lá dentro, só o que a cidade vê de fora.
Na véspera, Léon se declara a Emma na estalagem onde ela está hospedada, e ela aceita encontrá-lo na catedral. À noite, escreve uma carta para desfazer o encontro, mas não sabe o endereço dele e decide entregá-la pessoalmente. Na catedral, Emma se ajoelha na capela da Virgem para rezar, e o suíço que mostra a igreja arrasta os dois por túmulos e estátuas. Léon foge com ela, "porque tinha a impressão de que o seu amor" se iria evaporar ali dentro.
À porta, Emma hesita e diz que não é decente; Léon responde "É coisa corrente em Paris!". Ao cocheiro, que pergunta para onde, diz "Para onde você quiser!". O carro passa então a cruzar a cidade, e os moradores veem "uma carruagem com os estores descidos aparecendo assim constantemente, mais fechada que um túmulo e sacudida como um navio". A meio do dia, uma mão sem luva atravessa as cortinas e joga fora pedaços de papel rasgado. Pelas seis horas, o carro para numa ruela do bairro Beauvoisine, e desce dele uma mulher de véu, sem voltar a cabeça.
O fiacre resume o amor de Emma: ele precisa de um espaço fechado, em movimento e sem endereço fixo. A rotina das quintas-feiras que vem depois mostra o mesmo padrão em outra escala, porque Emma não sabe habitar um lugar, só atravessá-lo em busca de sensação.