Emma Bovary é a protagonista do romance: filha do velho Rouault e mulher de Charles Bovary, oficial de saúde numa vila de província, uma mulher que espera da vida o que leu nos livros e que, entre dois amantes e uma dívida crescente, acaba se envenenando com arsênico.
A formação dela vem de antes da chegada a Yonville. Na primeira noite na casa nova, Emma lembra as outras vezes em que dormiu num lugar desconhecido, o convento, Tostes e o palácio de Vaubyessard, e acredita que, como a parte já vivida fora má, a que lhe resta há de ser melhor. No convento, como ela recorda mais tarde, já invejava os "inefáveis sentimentos de amor" que procurava imaginar segundo os livros, e na ópera de Rouen se reencontra "em pleno Walter Scott". O amor, para ela, devia ser "tempestade dos céus", e não uma escolha de todos os dias.
O enredo é a sequência das tentativas de viver esse amor. Em Yonville, Emma se apaixona em silêncio pelo escriturário Léon, que parte para Paris; cede ao proprietário Rodolphe e repete para si mesma "Tenho um amante! Um amante!"; é abandonada antes da fuga combinada; reencontra Léon em Rouen e passa a vê-lo toda quinta-feira. Para pagar tudo isso, compra a crédito do comerciante Lheureux, até receber a intimação de oito mil francos. Léon falha, ela recusa a investida do tabelião Guillaumin, Rodolphe diz não ter o dinheiro, e Emma come arsênico na farmácia de Homais.
O romance não a reduz a vítima nem a culpada. Emma troca de homem e conserva o vocabulário: o que ela deseja é uma imagem, o Visconde, Paris, a mulher apaixonada dos romances, e por isso cada homem alcançado decepciona e a satisfação recua para o próximo.