Charles Bovary é o marido de Emma, um oficial de saúde de província, bom e dedicado, que a mulher considera medíocre, que a ama sem entendê-la e que só descobre os amantes dela depois que ela morre.
Ele conhece Emma ainda casado com uma viúva mais velha, ao tratar a perna quebrada do pai dela, o velho Rouault, que depois lhe manda todo ano um peru "em recordação da perna curada"; viúvo, casa-se com Emma. Em Yonville, a clientela não chega, e o dote da mulher já se esgotou em dois anos. O vizinho Homais o convence a operar o pé boto do moço de cavalariça Hippolyte; a perna gangrena e o doutor Canivet a amputa. Diante do marido humilhado, Emma sente a vergonha de ter imaginado "que semelhante homem pudesse ter algum valor".
A dedicação dele atravessa o livro. "Durante quarenta e três dias, Charles não a deixou um instante", na febre que se segue ao abandono de Rodolphe. Ele assina as procurações que passam a Emma a gestão dos bens e, pela primeira vez, toma o partido da mulher contra a própria mãe. Morta Emma, quer enterrá-la com o vestido de noiva, afunda nas dívidas que ela deixou e escreve, nas felicitações pelo casamento de Léon, "Como a minha pobre mulher se teria sentido feliz!". Quando encontra Rodolphe, não o acusa: diz "Foi culpa da fatalidade!", quase a mesma frase da carta de ruptura que ele achara no sótão, e morre no dia seguinte.
O romance dá a Charles o amor mais constante e a menor capacidade de dizê-lo, e é esse amor que Emma não vê. Ele não calcula, e é o cálculo dos outros que o arruína.