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Perguntas · Madame Bovary

Qual é o papel do dinheiro em Madame Bovary?

Em Madame Bovary, o dinheiro decide o desfecho: o romantismo de Emma é pago a crédito, a dívida cresce no mesmo ritmo que o tédio dos amores, e é a cobrança, e não um marido traído ou um padre, que a leva à morte.

Na Parte II, o comerciante Lheureux planta o crédito sem cobrar nada: "não há pressa, quando desejar". Os presentes que Emma dá a Rodolphe geram uma fatura de duzentos e setenta francos, e, durante a doença dela, Charles assina para Lheureux uma letra e uma promissória que chegam a "mil duzentos e cinquenta" francos.

Na Parte III, a dívida toma conta do livro. Em pleno luto pelo pai de Charles, Lheureux sugere a procuração: "com uma procuração, seria simples, e então poderíamos fazer uns negociozinhos". Emma compra cortinas, assina quatro letras de mil francos, que o banqueiro Vinçart desconta, e, nas quintas-feiras com Léon em Rouen, completa quase sempre a despesa que o amante não consegue pagar sozinho. A intimação de oito mil francos chega, e no inventário da casa a vida de Emma é exposta "como um cadáver a que se faz a autópsia". Ela pede dinheiro a Léon, ao tabelião Guillaumin e a Rodolphe, e depois da última recusa come o arsênico.

O narrador diz o que o dinheiro faz ao amor: o pedido a Rodolphe é "a mais fria e devastadora de todas as tempestades". E o desfecho distribui as contas com ironia. Charles vende as pratas e os móveis, e, depois da morte dele, vendido tudo, restam "doze francos e setenta e cinco cêntimos"; a filha da mulher que gastou em luxo vai trabalhar numa fiação; e o homem que não arriscou nada, Homais, é condecorado.

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