Homais é o farmacêutico de Yonville, vizinho dos Bovary: falador, anticlerical, correspondente do jornal Le Fanal de Rouen e o personagem que sai vencedor do romance, condecorado com a Legião de Honra na última frase do livro.
Na chegada dos Bovary, "aquilo que mais atrai a vista" na vila é a farmácia dele, com o letreiro em letras douradas que diz "Homais, farmacêutico". Já fora chamado à presença do procurador régio por exercício ilegal da medicina, e por isso cultiva Charles como aliado. Acusa o padre Bournisien de hipocrisia e, no comício, chama de "fanatismo" o gesto da velha criada premiada que quer dar a medalha ao prior. É ele quem convence Charles a operar o pé boto de Hippolyte, de olho no artigo do jornal, e quem sugere a ida à ópera em Rouen, onde Emma reencontra Léon.
É da farmácia dele que sai o arsênico que mata Emma. Depois da morte, espalha que ela tomou o veneno por açúcar, discute religião com o padre diante do corpo e diz não ter medo do cadáver: "Fazíamos ponche no anfiteatro das dissecações!". Fixa o epitáfio com "amabilem conjugem calcas!", faz no jornal uma campanha contra o cego que não conseguiu curar, até vê-lo internado num hospício, e afugenta três médicos da vila.
O percurso dele vai de um texto sobre si a outro: o nome dourado no letreiro, o artigo que ele mesmo escreve e lê em voz alta na noite da operação, a condecoração registrada na última linha. O romance faz prosperar quem não arriscou nada por ninguém, e essa é a ironia mais fria do desfecho.