Lheureux é o comerciante de tecidos de Yonville que vende a Emma a crédito, financia sem pressa os dois adultérios dela e, no fim, cobra a dívida que leva à penhora e ao suicídio.
Ele vem na diligência que leva os Bovary a Yonville, mas só entra em cena no capítulo 5 da Parte II, com uma caixa de fazendas. Emma não compra nada, e ele não insiste: "não há pressa, quando desejar". Depois encarrega-se da perna de pau de Hippolyte, manda vir de Rouen o pingalim que Emma quer dar a Rodolphe e, no dia seguinte, apresenta uma fatura de duzentos e setenta francos, quando todas as gavetas da secretária dela estão vazias. Para a fuga, Emma lhe encomenda capote, baú e saco de dormir.
Na Parte III a dívida sobe um degrau por capítulo. Em pleno luto pelo pai de Charles, ele sugere a procuração; vende cortinas a crédito; faz Emma assinar quatro letras de mil francos e, dos dois mil de diferença, entrega só mil e oitocentos, porque o banqueiro Vinçart ficou com duzentos; por fim, chega a intimação de oito mil francos em vinte e quatro horas. Quando Emma lhe diz "Deixe lá a moral!", ele responde que é "uma coisa que nunca prejudica", e, diante das súplicas, encerra com "Não tenho mais que me ralar com isso!" e fecha a porta. Depois da morte dela, volta a cobrar Charles por meio de Vinçart.
Lheureux acompanha os dois adultérios de ponta a ponta, do comício em que Rodolphe começa a corte às letras que pagam as quintas-feiras com Léon. O crédito dele funciona como o discurso de Rodolphe: promete que nada custa agora e cobra depois, com juros, e é a dívida, mais que a culpa, que fecha o cerco sobre Emma.