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O dinheiro estrangeiro

O que é

A moeda estrangeira, os dólares, que a comitiva de Woland faz aparecer nas mãos dos moscovitas e que, na Moscou do romance, é crime guardar. a leitura do capítulo 15 registra como dado que a cena satiriza campanhas reais de confisco de ouro e moeda estrangeira na URSS do fim dos anos 1920 e do começo dos 1930, sustentadas por delação e prisão. A loja Torgsin, no capítulo 28, é o lugar onde a mesma moeda é a condição para comprar.

Onde aparece

No capítulo 9, o maço de rublos que Korôviev põe na mão de Nikanor Ivânovitch Bossôi vira dólares no duto de ventilação, e ele é preso por especulação cambial que nunca praticou. No capítulo 12, uma chuva de dinheiro cai sobre a plateia do Teatro de Variedades, e Woland, no meio da sessão, fala do apego humano ao dinheiro.

São pessoas como outras quaisquer. Gostam de dinheiro, mas sempre foi assim... A humanidade gosta de dinheiro, independentemente do que seja feito: de couro, de papel, de bronze ou ouro. Bom, são levianas... fazer o quê... a misericórdia às vezes bate em seus corações... são pessoas comuns... em geral fazem lembrar as pessoas de antigamente... só que o problema habitacional as corrompeu...
Primeira Parte, capítulo 12: Magia negra e sua revelação

No capítulo 15, Nikanor Ivânovitch sonha, já sedado na clínica, com um teatro onde a plateia inteira é chamada a entregar a moeda escondida em casa.

Seja bem-vindo, Nikanor Ivânovitch! Entregue o dinheiro estrangeiro!
Primeira Parte, capítulo 15: O sonho de Nikanor Ivânovitch
Uma criança, uma carta anônima, um panfleto, uma bomba-relógio e sabe-se lá o que mais, mas ninguém se desfaria de quatrocentos dólares
Primeira Parte, capítulo 15: O sonho de Nikanor Ivânovitch

No capítulo 17, a renda do teatro se transforma nas mãos do tesoureiro Vassili Stepánovitch, que é preso ali mesmo pelo crime do sonho de Nikanor.

Diante de seus olhos havia um monte de dinheiro estrangeiro.
Primeira Parte, capítulo 17: O dia intranquilo

No capítulo 27, entre os depoimentos da investigação, Ánnuchka insiste que a nota que recebeu era de dez rublos e não de dólares. No capítulo 28, Korôviev e Behemoth entram na Torgsin, e a regra da casa é dita na porta.

Aqui a venda é só com dinheiro estrangeiro
Segunda Parte, capítulo 28: As últimas aventuras de Korôviev e Behemoth
O discurso de Korôviev não defende o furto, expõe o critério de entrada, e o alvo não é o vendedor: é o cliente que pode pagar. está trajando um terno social lilás, está inchado de tanto salmão, mas tem dinheiro estrangeiro, e o nosso, o nosso?!
Segunda Parte, capítulo 28: As últimas aventuras de Korôviev e Behemoth

O que significa

A nota do capítulo 17 lê a punição da comitiva como exposição, não como roubo.

É a segunda vez, depois da sessão de mágica do capítulo 12, que a trupe de Woland transforma dinheiro em algo diferente do que parecia. A punição de Rímski, Nikanor e agora Vassili Stepánovitch tem sempre a mesma forma: não rouba, expõe, revirando contra a vítima aquilo que ela mais teme ser flagrada guardando ou fazendo.
Primeira Parte, capítulo 17: O dia intranquilo

A nota do capítulo 28 registra a Torgsin como a cena mais documental do romance.

É a cena mais diretamente documental do romance, e por isso a mais citada fora dele por historiadores: as lojas Torgsin existiram, vendiam comida a quem entregasse ouro, prata ou moeda estrangeira (ver O dinheiro estrangeiro), e funcionaram durante a fome. A sátira de Bulgákov não inventa nada, apenas põe dois demônios na fila e deixa que o critério fale por si.
Segunda Parte, capítulo 28: As últimas aventuras de Korôviev e Behemoth

A mesma moeda tem dois papéis opostos no romance: nas mãos de Nikanor Ivânovitch e de Vassili Stepánovitch é o crime pelo qual são presos, e no balcão da Torgsin é o que separa quem entra de quem fica de fora. Korôviev, na loja, não discute o furto do gato, discute quem tem o dinheiro que abre a porta.

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