Quem é
O procurador da Judeia do romance que o mestre escreve e que, segundo Woland, Woland presenciou. Recebe para julgamento Yeshua Ha-Notzri, conclui que o prisioneiro é um filósofo inofensivo e, mesmo assim, confirma a sentença de morte.
Trajetória
No capítulo 2, com uma enxaqueca insuportável e o cheiro de óleo de rosas que o persegue desde o amanhecer, interroga Yeshua e manda o centurião Marcos ensiná-lo, a chicote, a chamá-lo de Hegemon. O prisioneiro lhe diagnostica a dor de cabeça e a falta de afeto a qualquer um que não seja o cão Banga.
A verdade, antes de tudo, é que a sua cabeça está doendo, e dói tão forte que você covardemente pensa na morte
Convencido de que Yeshua é um filósofo vadio e doente mental, formula em pensamento a sentença mais branda, a prisão em Cesareia. Dois fatos a impedem: o processo registra uma fala de Yeshua contra o poder de César, e Caifás, na escolha da Páscoa, solta Bar-Raban. Quando Yeshua diz que o reino da verdade virá, Pilatos grita o contrário, e diante da multidão confirma a morte de Yeshua, Dismas e Gestas.
Ele nunca virá!
No capítulo 25, sob a tempestade, recebe de Afrânio o relato do Gólgota e a última frase do condenado, que chega a ele de segunda mão.
Disse somente que entre todas as fraquezas humanas a que ele considera pior é a covardia.
Em seguida pede a Afrânio que proteja Judas de Kerioth, porque teria recebido o aviso de que o matariam naquela noite, e insiste na própria intuição. No capítulo 26, Afrânio relata a morte de Judas como falha da guarda, Pilatos finge indignação e, diante de Mateus Levi, que jura matar Judas, revela o que fizera.
Fui eu
No capítulo 32, o mestre e Margarida o encontram sentado há quase dois mil anos, atormentado pela insônia nas noites de lua cheia (ver A lua). Woland explica que ele sonha sempre terminar a conversa interrompida com o prisioneiro. O mestre o liberta, e Pilatos corre pelo caminho lunar, atrás do cão, ao encontro de Yeshua.
Está livre! Está livre! Ele está esperando por você!
No Epílogo, Ivan Nikoláievitch Bezdômny sonha todo ano com os dois subindo juntos o caminho lunar, e com a súplica de Pilatos.
Que execução vil! Por favor, diga-me [...] que ela não existiu! Suplico, diga-me, não existiu?
Temas que encarna
Os temas da obra que passam por ele são Coragem e heroísmo, Poder e Perdão.
O romance não o faz cruel por gosto: faz dele o juiz que vê a inocência e não a sustenta. Por isso a frase sobre a covardia, dita por Yeshua e repetida por Woland no fim, recai sobre ele, e o perdão do capítulo 32 vem do autor que o escreveu, não de um tribunal.
Relações
- Yeshua Ha-Notzri: o prisioneiro que ele julga, condena e encontra no fim do caminho lunar.
- Afrânio: o chefe da guarda secreta, que executa por ele o que não pode ser dito.
- Judas de Kerioth: o delator que ele manda proteger e cuja morte assume diante de Levi.
- Mateus Levi: o discípulo que recusa a oferta de servir na biblioteca dele em Cesareia.
- Woland: quem diz ter presenciado o interrogatório e quem o mostra ao mestre no fim.
- O mestre: o autor do romance em que ele vive, e quem o liberta.