Clavis Libri

Personagem

Woland

Quem é

Estrangeiro de olhos desparelhados, um verde e um preto, que chega a Moscou como consultor contratado para decifrar os manuscritos do necromante Gerbert D'Aurillac e diz ser especialista em magia negra. Do cartão de visita, Ivan só consegue ler a inicial do sobrenome, um "W"; o nome inteiro ele mesmo dá a Stiopa Likhodêiev no apartamento 50 (ver O apartamento 50), e é o mestre quem diz a Ivan quem ele é.

Ontem, em Patriarchi Prudý, o senhor se encontrou com Satanás.
Primeira Parte, capítulo 13: Surge o herói

A nota dos capítulos 1 a 5 lê a epígrafe do romance, tirada do Fausto, como a chave dele: um poder que não precisa querer o bem para produzi-lo.

A epígrafe é a chave de leitura de Woland em Moscou: ele não cria o mal, põe a cidade à prova, e o que tenta (como o maço que Korôviev empurra a Nikanor) só pega em quem já estava disposto; não precisa querer o bem para produzi-lo. Quem for citar a passagem fora do romance deve saber que ela é de Fausto, onde é Mefistófeles quem se apresenta assim a Fausto, e que Bulgákov a toma emprestada sem a ironia do contexto original.
Primeira Parte, caps. 1-5 - A chegada de Woland e a morte de Berlioz

Trajetória

No capítulo 1 senta-se ao lado de Berlioz e Ivan em Patriarchi Prudý, lembra a sexta prova de Kant, que ele diz ter criticado ao próprio Kant num café da manhã, anuncia a Berlioz a morte e o óleo de Ánnuchka; no capítulo 2 narra o interrogatório de Pilatos como quem estava lá.

Vão cortar sua cabeça!
Primeira Parte, capítulo 1: Nunca falem com estranhos
Eu presenciei tudo isso pessoalmente. Estive na varanda com Pôncio Pilatos, no jardim, quando ele conversou com Caifás, estive também no palanque, só que às escondidas, incógnito
Primeira Parte, capítulo 3: A sétima prova

No capítulo 7 aparece ao lado da cama de Stiopa com um contrato de sete apresentações no Teatro de Variedades, instala a comitiva no apartamento 50 e, no capítulo 12, na sessão de magia negra, depois da chuva de dinheiro sobre a plateia, dá o veredito sobre os moscovitas.

Mestre em magia negra, Woland
Primeira Parte, capítulo 7: Um apartamento sinistro
São pessoas como outras quaisquer. Gostam de dinheiro, mas sempre foi assim... A humanidade gosta de dinheiro, independentemente do que seja feito: de couro, de papel, de bronze ou ouro. Bom, são levianas... fazer o quê... a misericórdia às vezes bate em seus corações... são pessoas comuns... em geral fazem lembrar as pessoas de antigamente... só que o problema habitacional as corrompeu...
Primeira Parte, capítulo 12: Magia negra e sua revelação

No capítulo 18 recebe Sókov, o gerente da lanchonete do teatro, pergunta quanto ele tem de economia e quando pretende morrer, e uma voz do quarto ao lado anuncia prazo e causa da morte, com a mesma segurança com que Woland sentenciara Berlioz.

ele irá morrer daqui a nove meses, em fevereiro do ano que vem, de câncer de fígado
Primeira Parte, capítulo 18: Os visitantes azarados

No capítulo 22 Margarida o encontra deitado, doente, numa camisa suja e remendada, com Hella cuidando do joelho. No capítulo 23, no fim do baile, recebe num prato a cabeça de Berlioz (ver A cabeça de Berlioz), que transforma em taça; no capítulo 24, depois do jantar, quando Margarida gasta o pedido perdoando ela mesma Frida, declara que aquilo não conta, porque ele não fez nada, e lhe pergunta o que deseja para si; e recusa a explicação do mestre de que o romance foi destruído no fogo.

Isso é fato. E um fato é a coisa mais teimosa do mundo.
Segunda Parte, capítulo 23: O grande baile de satanás
Nunca peça nada! Nunca peça nada, principalmente àqueles que são fortes. Eles vão oferecer por conta própria e darão tudo também.
Segunda Parte, capítulo 24: O resgate do mestre
Desculpe, não posso acreditar [...], isso não é possível. Manuscritos não ardem.
Segunda Parte, capítulo 24: O resgate do mestre

No capítulo 29 observa do terraço a fumaça da Casa Griboiêdov, recebe Mateus Levi, que o chama de "espírito do mal e soberano das sombras", e concorda em levar consigo o mestre e Margarida.

o que faria a sua bondade se não existisse a maldade, como seria a terra se dela sumissem as sombras
Segunda Parte, capítulo 29: O destino do mestre e de Margarida é decidido

No capítulo 31 espera o casal a cavalo nas colinas dos Pardais; no capítulo 32 apresenta o homem da poltrona de pedra, devolve ao mestre a decisão sobre ele e oferece ao mestre não Yerushalaim nem Moscou, mas a casa com parreiras e música de Schubert.

Woland retoma a frase de Yeshua Ha-Notzri ao apresentar o prisioneiro dos dois mil anos, e a usa para absolver quem estava ao lado dele. Caso seja verdade que a covardia é o pior defeito, então penso que o cachorro não é culpado.
Segunda Parte, capítulo 32: Perdão e refúgio eterno
Para lá, para lá! Lá o aguardam uma casa e o velho escravo, as velas já estão acesas, mas logo se apagarão, porque você encontrará o amanhecer imediatamente.
Segunda Parte, capítulo 32: Perdão e refúgio eterno

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Bem e mal, Sobrenatural e Aparência e realidade. A leitura do capítulo 17 sobre a forma das punições da comitiva:

É a segunda vez, depois da sessão de mágica do capítulo 12, que a trupe de Woland transforma dinheiro em algo diferente do que parecia. A punição de Rímski, Nikanor e agora Vassili Stepánovitch tem sempre a mesma forma: não rouba, expõe, revirando contra a vítima aquilo que ela mais teme ser flagrada guardando ou fazendo.
Primeira Parte, capítulo 17: O dia intranquilo

Woland passa o livro pronunciando sentenças sobre os outros: a cabeça de Berlioz, a conta dos nove meses de Sókov, o veredito sobre a plateia do teatro, o fato teimoso diante da cabeça. A última sentença que ele pronuncia não é dele: é a frase de Yeshua sobre a covardia, que chegou a Pilatos pelo relatório de Afrânio no capítulo 25 e que Woland retoma no capítulo 32, com um "caso seja verdade", para declarar sem culpa o cachorro de Pilatos.

Relações

  • Korôviev, Behemoth, Azazello e Hella: a comitiva.
  • Abaddon: o demônio de óculos escuros que ele mostra a Margarida depois de apresentar a comitiva.
  • Berlioz e Ivan Nikoláievitch Bezdômny: os dois interlocutores de Patriarchi Prudý, um sentenciado, o outro levado ao hospício.
  • Margarida: a rainha do baile, a quem ele concede o mestre.
  • O mestre: o autor do romance sobre Pilatos, a quem devolve o manuscrito (ver O manuscrito) e oferece o refúgio (ver A casa do refúgio).
  • Mateus Levi: o mensageiro que lhe traz o pedido sobre o destino do casal.
  • Yeshua Ha-Notzri e Pôncio Pilatos: o interrogatório que ele diz ter presenciado, e a frase de Yeshua que ele retoma no fim.
  • Mefistófeles: quem diz, no Fausto, a frase que o romance usa como epígrafe.