Clavis Libri

Personagem

O mestre

Quem é

Historiador e tradutor que ganhou cem mil rublos numa bonificação de loteria, largou o museu, alugou dois cômodos no subsolo de uma casinha perto da Arbat e passou a escrever, isolado, um romance sobre Pôncio Pilatos. Recusa o próprio nome e se apresenta pelo título que a amada lhe deu.

Sou um mestre.
Primeira Parte, capítulo 13: Surge o herói

O romance que ele escreveu é o plano de Yerushalaim do livro: depois de Woland no capítulo 2 e do sonho de Ivan no capítulo 16, é o próprio manuscrito, relido por Margarida no fim do capítulo 24, que conduz a história de Pilatos nos capítulos 25 e 26.

Trajetória

No capítulo 13 entra à noite pela varanda do quarto de Ivan no hospício, ouve o relato de Patriarchi Prudý e conta a própria história: o encontro na rua com a mulher das flores amarelas, o romance recusado, os artigos de Ariman, Latunski e Mstislav Lavrôvitch, o medo do escuro, o manuscrito (ver O manuscrito) queimado no forno numa noite de outubro e a internação voluntária na clínica de Stravinski (ver A clínica de Stravinski).

O amor surgiu diante de nós, como um assassino que surge do nada em uma travessa, e nos acertou em cheio.
Primeira Parte, capítulo 13: Surge o herói
É muito difícil fazer isso, porque o papel escrito queima a contragosto.
Primeira Parte, capítulo 13: Surge o herói

No capítulo 24 é trazido do hospício ao quarto de Woland, ainda de roupão e gorro, a pedido de Margarida. Behemoth tira o romance intacto de baixo do próprio corpo, a comitiva apaga o rastro de Aloísi Mogarytch, o vizinho que o denunciou para tomar o apartamento, e o casal volta ao porão da Arbat.

Não chore, Margot, não me faça sofrer. Estou muito doente.
Segunda Parte, capítulo 24: O resgate do mestre
Desculpe, não posso acreditar [...], isso não é possível. Manuscritos não ardem.
Segunda Parte, capítulo 24: O resgate do mestre

No capítulo 29 o destino dele é decidido sem a presença dele, no terraço, pelo recado que Mateus Levi traz a Woland.

Ele não fez por merecer a luz, fez por merecer a tranquilidade
Segunda Parte, capítulo 29: O destino do mestre e de Margarida é decidido

No capítulo 30 bebe o Falerno de Azazello, morre com Margarida e despede-se de Ivan no hospital; no capítulo 31 sente nas colinas dos Pardais o "pressentimento de paz permanente"; e no capítulo 32, diante de Pilatos, recebe de Woland a decisão sobre ele e o liberta com uma frase. Depois segue para a casa eterna, enquanto a memória dele, "perfurada de agulhas", começa a se apagar.

Envenenador...
Segunda Parte, capítulo 30: Está na hora! Está na hora!
Está livre! Está livre! Ele está esperando por você!
Segunda Parte, capítulo 32: Perdão e refúgio eterno
Para lá, para lá! Lá o aguardam uma casa e o velho escravo, as velas já estão acesas, mas logo se apagarão, porque você encontrará o amanhecer imediatamente.
Segunda Parte, capítulo 32: Perdão e refúgio eterno

No Epílogo volta nos sonhos de Ivan, ao lado de Margarida.

Terminou assim, meu discípulo
Epílogo

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Arte, Coragem e heroísmo e Perdão. As duas leituras do guia sobre por que ele recebe o refúgio (ver A casa do refúgio) e não a luz:

A distinção retoma, de outro ângulo, a covardia que Yeshua Ha-Notzri condenara: o mestre queimou o próprio romance e desistiu de defendê-lo diante da perseguição, e é esse recuo, não a obra em si, que o desqualifica para a luz sem lhe negar o descanso.
Segunda Parte, capítulo 29: O destino do mestre e de Margarida é decidido
O livro diz com todas as letras, no capítulo 29, que o mestre "não fez por merecer a luz", e o que lhe oferece no lugar, em detalhe doméstico (parreiras, Schubert, penas de ganso), é o oposto do jardim luminoso de Pilatos. Não é castigo: no capítulo 32 a casa é dada como recompensa, "aquilo que Yeshua pediu por vocês". Pilatos falhou por covardia diante do poder e espera quase dois mil anos pela conversa; o mestre falhou por fraqueza diante da crítica (queimou o próprio romance) e ganha o repouso, não a luz. Cada um recebe o que a própria falha deixou alcançar.
Segunda Parte, caps. 30-32 e epílogo - Perdão e refúgio eterno

Ele entra no livro abrindo mão do nome e sai dele perdendo a memória: no capítulo 13 renuncia ao nome próprio e fica só com o título que a amada lhe deu; no 32 a memória se apaga no mesmo movimento em que ele termina o romance libertando Pilatos. O que sobra entre uma ponta e outra, segundo a nota dos capítulos 30 a 32 e do Epílogo, é a palavra "discípulo", dita a Ivan no hospital e repetida no sonho do Epílogo.

Relações

  • Margarida: a amada, que lhe dá o título de mestre e o vai buscar ao custo do baile.
  • Ivan Nikoláievitch Bezdômny: o vizinho de hospício a quem conta a história e a quem chama de discípulo.
  • Woland: quem lhe devolve o manuscrito e lhe oferece o refúgio.
  • Pôncio Pilatos e Yeshua Ha-Notzri: os personagens do romance dele; Pilatos é libertado pela frase que ele grita, e o refúgio é, nas palavras de Woland, "aquilo que Yeshua pediu por vocês".
  • Latunski: um dos críticos cujos artigos atacaram o romance.
  • Mateus Levi: quem leva a Woland o pedido sobre o destino dele.
  • Azazello: quem lhe serve o Falerno.