Clavis Libri

Personagem

Afrânio

Quem é

Chefe da guarda secreta de Pôncio Pilatos em Yerushalaim.

Disse somente que entre todas as fraquezas humanas a que ele considera pior é a covardia.
Segunda Parte, capítulo 25: Como o procurador tentou salvar Judas de Kerioth

Trajetória

No capítulo 25 chega do Gólgota encharcado, quando a tempestade se acalma, confirma a Pilatos que Yeshua está morto e repete a frase do condenado. Recebe do procurador, sob sigilo, o pedido de proteger Judas de Kerioth, pondera com calma que o plano é quase impossível numa noite de festa e, antes de sair, recebe um saco de moedas pesado, que Pilatos justifica como a devolução de um empréstimo antigo.

A frase chega a Pilatos de segunda mão, por um relatório de polícia, e é assim que ela o alcança: não como acusação de frente, mas como informação de rotina que o subordinado entrega sem entender o que está entregando. Ouvida a sentença, o procurador muda de assunto e chega ao que de fato importa: pede notícias de Judas de Kerioth, o jovem que denunciou Yeshua por dinheiro.
Segunda Parte, capítulo 25: Como o procurador tentou salvar Judas de Kerioth
Afrânio pondera, calmo, que o plano é quase impossível de executar numa única noite de festa, mas Pilatos insiste, batendo na própria intuição, que nunca falhou, um excesso de certeza que só se explica depois, quando se descobre de onde vinha de fato a informação:
Segunda Parte, capítulo 25: Como o procurador tentou salvar Judas de Kerioth

Afrânio diz que o procurador não lhe deve nada, e Pilatos insiste no pretexto.

Com a minha chegada a Yerushalaim, lembra-se, uma multidão de mendigos... eu queria jogar-lhes dinheiro e não tinha comigo, peguei do senhor.
Segunda Parte, capítulo 25: Como o procurador tentou salvar Judas de Kerioth

À noite destaca soldados para fora da cidade, veste-se com uma túnica gasta e vai à Cidade Baixa combinar algo com Niza, a mulher que atrai Judas a Getsêmani. Ainda de noite, sob a lua (ver A lua), relata tudo a Pilatos como se a guarda tivesse falhado em proteger Judas, e pede para ser julgado.

Peço que me entregue ao tribunal, procurador. O senhor estava certo. Eu não soube proteger o Judas de Kerioth, ele foi esfaqueado e morto. Quero ser julgado e demitido.
Segunda Parte, capítulo 26: O sepultamento

O procurador sugere que Judas talvez tenha se matado, e Afrânio recusa a hipótese, espantado; pouco depois, olhando-o com ar irônico, diz como foi a morte. No fim, Pilatos diz que entregá-lo ao tribunal seria um crime, elogia o trabalho dele e lhe dá um anel como recordação.

Foi morto com uma habilidade impressionante, procurador
Segunda Parte, capítulo 26: O sepultamento

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Justiça e lei e Aparência e realidade.

Relações

  • Pôncio Pilatos: o procurador a quem serve e de quem executa a ordem disfarçada.
  • Yeshua Ha-Notzri: cuja última frase ele relata.
  • Judas de Kerioth: o homem que ele deveria proteger.