Yeshua acredita que não existem pessoas más e que todo poder é violência; Woland acredita que o bem precisa do mal como a terra precisa das sombras, e exerce o poder à vontade. Um é o prisioneiro sem poder algum que morre na cruz, o outro é o soberano das sombras que faz e desfaz em Moscou.
As teses estão em falas opostas. No capítulo 2, Yeshua diz a Pilatos: "Não existem pessoas maldosas no mundo." No capítulo 29, Woland responde a Mateus Levi, que se diz discípulo de Yeshua e o chama de "espírito do mal e soberano das sombras", perguntando "o que faria a sua bondade se não existisse a maldade".
Os dois também tratam as pessoas de modo diferente. Yeshua chama de boa pessoa o centurião que o chicoteou e enxerga a dor de quem o julga. Woland pronuncia sentenças: anuncia a morte de Berlioz, dá o veredito sobre a plateia do teatro e, no baile, manda a cabeça de Berlioz para a inexistência. E a comitiva dele mais tenta do que obriga: Korôviev empurra um maço de rublos a Nikanor Ivânovitch, que hesita, mas fica com ele.
O romance não põe os dois em guerra. No fim, Woland atende a um pedido que vem do lado de Yeshua e, ao apresentar Pilatos, retoma a frase de Yeshua sobre a covardia para declarar sem culpa o cachorro, com uma ressalva: "Caso seja verdade que a covardia é o pior defeito". O livro deixa de pé as duas teses: a de Yeshua resiste a Moscou, onde ninguém é maldoso, só mesquinho; a de Woland resiste a Yerushalaim, onde um homem que não se julga mau manda um inocente para a cruz.