Porque, segundo o recado que Mateus Levi leva a Woland no capítulo 29, o mestre "não fez por merecer a luz, fez por merecer a tranquilidade". O livro não explica o motivo, mas o que ele mostra sugere que o romance lhe vale o descanso, e o recuo diante da perseguição, que o levou a queimar o livro, o afasta da luz.
A cena é breve. Levi diz que "Ele leu a obra do mestre" e que pede a Woland que leve o mestre consigo e lhe devolva a tranquilidade. Woland pergunta por que não o levam "para a luz", e Levi responde com a frase do veredito. No capítulo 29 não se diz quem é esse "Ele"; no capítulo 32, Woland chama o destino do casal de "aquilo que Yeshua pediu por vocês".
A régua é a covardia. Antes de morrer, Yeshua disse que a pior das fraquezas humanas é a covardia, e o livro distribui o destino final por ela. Pilatos, que condenou um inocente por medo, fica cerca de dois mil anos preso à conversa interrompida. O mestre, que queimou o romance com medo da crítica e recusou que Margarida dividisse a ruína com ele, recebe o sossego.
O refúgio é concreto: uma casa com parreiras, música de Schubert à noite, velas e penas de ganso para escrever. Margarida o descreve como "aquilo que não lhe deram em vida, o silêncio". É menos que a luz, mas Woland o apresenta como dádiva, e Margarida fala da casa eterna "que a deram como recompensa".