"Manuscritos não ardem" é o que Woland responde ao mestre, no capítulo 24, quando ele diz ter queimado o romance sobre Pilatos: a frase afirma que uma obra verdadeira sobrevive até à tentativa de destruí-la e não depende do mundo que a queimou.
No capítulo 13, o mestre conta a Ivan que, atacado pelos críticos e doente de medo, queimou o manuscrito no forno, e lembra que "o papel escrito queima a contragosto". A amada chegou a tempo de salvar do fogo só um maço de folhas. Depois do baile de satanás, Woland pede para ver o romance; o mestre diz que o queimou, e Woland responde: "Desculpe, não posso acreditar", e em seguida diz a frase. Behemoth salta da cadeira, e todos veem que ele estava sentado sobre uma pilha de manuscritos.
Dentro da história a frase é literal: o romance volta intacto. Mas ela diz mais do que isso. O mestre perdeu tudo por causa do livro, até o nome, enquanto a Massolit, a associação dos escritores, tem carteirinha e restaurante e não tem obra. Woland não promete que a arte vença no mundo que a perseguiu; promete que ela não depende desse mundo. E o livro confirma: o destino do mestre é decidido a partir de uma leitura, quando Mateus Levi diz a Woland: "Ele leu a obra do mestre".
No capítulo 30, o mestre deixa os papéis arderem de novo no subsolo, sem levar o romance, porque diz conhecê-lo de cor.