Pôr lado a lado ideias ou palavras opostas, para que uma ilumine a outra pelo contraste.
Em Madame Bovary
Ela desejava um rapaz [...] Um homem, pelo menos, é livre, pode explorar todas as paixões e todas as terras, atravessar os obstáculos, tomar o gosto das venturas mais distantes. Mas uma mulher é continuamente impedida de tudo.
O trecho opõe o homem, que "é livre", à mulher, "continuamente impedida de tudo". O contraste direto entre liberdade e impedimento resume o que Emma sente como injustiça de ter nascido mulher e dá força à frase final.
Parte II, capítulo 3, o narrador
Ah!, mas é que existem duas [...] a mesquinha, a convencional, a dos homens, a que varia constantemente e berra tão alto que se agita no chão, terra a terra [...] Mas a outra, a eterna, essa circunda tudo e está acima de tudo, como a paisagem que nos rodeia e o céu que nos ilumina.
O trecho opõe duas moralidades: a "mesquinha", que anda "terra a terra", e a "eterna", que está "acima de tudo". O contraste entre baixo e alto serve a Rodolphe para apresentar o desejo dele como algo superior às regras dos homens.
Parte II, capítulo 8, Rodolphe
O senhor aproveita-se impunemente da minha aflição! Eu sou para lastimar, mas não para vender!
Em "Eu sou para lastimar, mas não para vender!", Emma opõe dois destinos possíveis: merecer piedade ou ser tratada como mercadoria. O contraste, marcado pelo "mas", afirma uma dignidade que recusa a investida do tabelião.