Dar a uma coisa, a um animal ou a uma ideia abstrata ações, sentimentos ou fala próprios de uma pessoa.
Em Madame Bovary
a conversa de Charles era banal como uma calçada, e as ideias de todo mundo desfilavam por ela com suas roupas de todo dia
As ideias "desfilavam" pela conversa "com suas roupas de todo dia", como pessoas passando numa rua. Dando gestos e vestuário a ideias abstratas, o narrador mostra opiniões comuns, gastas e sem surpresa, atravessando a cabeça de Charles.
Parte I, capítulo 7, o narrador
Ah!, mas é que existem duas [...] a mesquinha, a convencional, a dos homens, a que varia constantemente e berra tão alto que se agita no chão, terra a terra [...] Mas a outra, a eterna, essa circunda tudo e está acima de tudo, como a paisagem que nos rodeia e o céu que nos ilumina.
A moral dos homens "berra tão alto" e se agita no chão, como alguém que grita e se debate. Dando voz e corpo a uma ideia abstrata, Rodolphe ridiculariza a convenção e faz a própria sedução parecer coragem.