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Recurso literário

Paralelismo

Frases ou versos seguidos com a mesma construção, de modo que o leitor compara o que muda de um para outro.

Em Madame Bovary

este espírito, positivo no meio dos seus entusiasmos [...] que amara a igreja pelas flores, a música pelas letras das canções e a literatura pelo estímulo passional, revoltou-se contra os mistérios da fé

Três orações de mesma forma, "a igreja pelas flores, a música pelas letras das canções", e assim por diante, mostram que Emma amava cada coisa por um atrativo sensorial. A construção repetida deixa ver o padrão: tudo é amado pelo que dá aos sentidos.

Parte I, capítulo 6, o narrador

A mediocridade doméstica incitava-a a fantasias luxuosas; a ternura matrimonial, a desejos adúlteros.

As duas orações têm a mesma forma: a "mediocridade doméstica" leva a "fantasias luxuosas", e a "ternura matrimonial", a "desejos adúlteros". A estrutura repetida mostra causa e efeito simétricos, em que o que há de bom no casamento empurra Emma para o contrário.

Parte II, capítulo 5, o narrador

primeiro nos olhos, que tanto haviam cobiçado todas as sumptuosidades terrestres, depois nas narinas, ávidas de brisas cálidas e perfumes amorosos, depois na boca, que se abria para a mentira, que gemera de orgulho e gritara de luxúria, depois nas mãos, que se deleitavam com suaves contactos, e, finalmente, nas plantas dos pés, tão rápidos outrora quando corria a saciar os seus desejos e que não voltariam a caminhar.

A extrema-unção é contada em frases de mesma forma, cada uma com um órgão e uma oração relativa: "primeiro nos olhos", "depois nas narinas", "depois na boca". A repetição dá ritmo de rito e resume a vida de Emma sentido por sentido.

Parte III, capítulo 8, o narrador