O narrador interrompe a história para comentar, julgar, dar opinião ou falar diretamente com o leitor.
Em Madame Bovary
a palavra humana é como um caldeirão rachado em que se batem melodias para fazer dançar os ursos, quando o que se pretendia era enternecer as estrelas
O narrador para o relato e comenta em tom de sentença: "a palavra humana é como um caldeirão rachado". A opinião sobre a linguagem vem de fora das personagens e responde ao juízo que Rodolphe faz do amor de Emma.
Parte II, capítulo 12, o narrador
porque um pedido pecuniário é a mais fria e devastadora de todas as tempestades que podem desabar sobre o amor.
Em vez de seguir a cena, o narrador para e emite uma sentença geral: "um pedido pecuniário é a mais fria" das tempestades sobre o amor. O comentário vem de fora das personagens e julga o que o dinheiro faz ao sentimento.
Parte III, capítulo 8, o narrador
a madeira do caixão, atingida pelas pedras, fez aquele formidável ruído que nos parece ser o retumbar da eternidade.
Ao dizer que o ruído "nos parece ser o retumbar da eternidade", o narrador entra na cena com um "nos" que inclui o leitor. Ele comenta o som e deixa a quem lê a decisão de aceitar essa impressão.